São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Economia

Governo planeja eliminar benefício tributário de 20 anos
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Levy estuda fim da distribuição de lucros pelo instrumento de Juros sobre Capital Próprio (JCP). Nesta sexta. Impostômetro atinge R$ 800 bilhões

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, confirmou que a cúpula do Ministério da Fazenda estuda a extinção de um benefício tributário concedido às empresas brasileiras há quase 20 anos.

Malaquias afirmou que os estudos para o fim da distribuição de lucros pelas empresas por meio do instrumento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) estão no gabinete do ministro Joaquim Levy.

"Esse assunto está sendo discutido no gabinete do ministro. Ainda não temos informações sobre isso", comentou. Malaquias disse que o Fisco não dispõe de cálculos sobre a arrecadação extra que essa mudança poderia proporcionar. "Evidentemente, vai para nossa área técnica para fazermos estimativas", afirmou.

A medida, que conta com a boa vontade do PT, o partido da presidente Dilma Rousseff, poderia render aproximadamente R$ 14 bilhões a mais, por ano, aos cofres federais. A modalidade de Juros sobre Capital Próprio foi criada em 1995 como uma forma alternativa para as grandes empresas e os bancos de capital aberto distribuírem lucro. Na prática, o mecanismo permite às grandes instituições do país recolher menos tributos.

Além disso, outras medidas tributárias estão em estudo no governo, como forma de engrossar os cofres públicos e auxiliar o ajuste fiscal. O Ministério da Fazenda estuda aumentar tributos para compensar as atenuações promovidas pelos parlamentares nas medidas provisórias que restringem a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas.

MAIS TRIBUTOS

Entre os tributos e impostos que podem ser elevados estão o PIS/Cofins que incide sobre o faturamento das empresas e também impostos regulatórios, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Parte do ajuste fiscal em condução pelo governo já depende de aumento de impostos. Em janeiro, Levy e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, anunciaram um grande pacote com fortes altas de tributos. O IOF que incide sobre o crédito ao consumidor foi dobrado, de 1,5% para 3%, e o governo também aumentou impostos sobre combustíveis, produtos importados e o setor de cosméticos.

Esse pacote deve elevar a arrecadação em R$ 20,6 bilhões somente em 2015. Apenas esse pacote de aumento de impostos representa um ganho econômico superior ao que seria obtido originalmente com as medidas provisórias enviadas ao Congresso Nacional.

CARGA TRIBUTÁRIA

Ao comentar a marca de R$ 800 bilhões que será atingida nesta sexta-feira (22) pelo Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) --montante que, no ano passado, foi alcançado em 31 de maio, indicando aumento na carga tributária --, o presidente da Facesp e da ACSP, Alencar Burti, disse que os cidadãos e as empresas estão sobrecarregados com o peso dos impostos, que ainda são mais onerados pela burocracia que eles geram, criando mais controles e representando custos adicionais para todos os contribuintes”,

“É preciso dar um basta na política de aumentar tributos sempre que o governo se depara com a necessidade de recursos. As empresas e as famílias não agem dessa maneira. Buscam na racionalização e no corte de gastos o restabelecimento do equilíbrio quando enfrentam aumento de despesas”, defende Burti. “É esse o caminho – o da racionalização - que o governo deve procurar seguir no ajuste fiscal. E não o caminho pautado em aumentar ainda mais os impostos.”



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