São Paulo, 27 de Julho de 2017

/ Economia

Ex-presidente do BC prevê um novo ciclo global de dólar forte
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Affonso Celso Pastore apoia medidas de Joaquim Levy, mas teme a fragilidade do governo. Para o Brasil, “é melhor deixar o dólar valorizar ainda mais”

A economia mundial passa por um momento de mudança relevante, com início de um ciclo de fortalecimento do dólar "longo e persistente", avalia Affonso Celso Pastore, economista e ex-presidente do Banco Central (BC). "Estamos assistindo ao começo do ciclo de valorização do dólar.

A depreciação aqui (no Brasil) vai ter que ser maior, é uma valorização do dólar em relação a todo mundo", afirmou durante o 1º Seminário de Política Monetária, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), no Rio.

Pastore destacou que o crescimento econômico dos Estados Unidos "é sustentável", o que faz com que o capital flua para lá. Um dos fatores que beneficiam o crescimento econômico americano é a queda dos preços do petróleo, fenômeno que vem ocorrendo desde meados do ano passado. "A tendência dos EUA é contínua, com força de crescimento sustentável, acima de Europa e outros", afirmou.

No caso da Europa, o economista vê que as ações do Banco Central Europeu (BCE) tiraram a região da "fragilidade", mas o ajuste está ocorrendo "atrasado".

Paralelamente, os EUA estão firmes no crescimento, enquanto outros países, não. "O resultado é um ciclo de fortalecimento do dólar em relação às demais moedas. É preciso lembrar que os ciclos de fortalecimento do dólar ocorridos no passado foram todos longos", disse Pastore.

Em relação ao Brasil, Pastore destacou que o ajuste fiscal "é muito importante e tem que ser feito", mas há a dificuldade de ocorrer com um "governo fraco, com pouco apoio político". "A competência do ministro (da Fazenda, Joaquim Levy) existe (para fazer o ajuste), mas discuto o cenário em que isso se encaixa", ponderou.

Pastore destacou que o Brasil está entrando em recessão, o que faz caírem os investimentos estrangeiros diretos (IED). Nesse quadro, a entrada de investimentos estrangeiros em portfólio é fundamental para cobrir o déficit em conta corrente. O economista defendeu que, neste cenário, a melhor opção para a política econômica do país é deixar o dólar valorizar ainda mais, “como Levy vem sinalizando”. 



O indicador acusou superávit de US$ 715 milhões de janeiro a junho, contra déficit de US$ 8,487 bilhões no mesmo período de 2016, de acordo com o Banco Central

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Para o economista Carlos Geraldo Langoni, os juros mostram tendência clara de queda e o câmbio, relativa estabilidade. Isso sugere que o contágio da percepção de risco país pela tensão política foi baixo

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