São Paulo, 28 de Maio de 2017

/ Economia

Escândalo abala os mercados por aqui e lá fora
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Ativos brasileiros negociados no exterior estão em forte queda. Previsão de especialistas é de perdas na Bolsa e alta expressiva do dólar, risco Brasil e também dos juros futuros

A forte queda de ativos brasileiros negociados no exterior já dá uma ideia da tormenta que guiará os mercados domésticos nesta quinta-feira (18/05), após o executivo Joesley Batista, do Grupo JBS, ter revelado ontem à noite conversas gravadas em que o presidente Michel Temer dá aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A expectativa do mercado é de fortes perdas na Bolsa e alta expressiva do dólar, risco Brasil e também dos juros futuros, levando o mercado a rever suas projeções de um corte mais agressivo da Selic na reunião do Copom no fim deste mês.

O escândalo deve causar um forte estresse no câmbio e o dólar pode bater R$ 3,30, segundo o economista Helcio Takeda, da Pezco.

De fato, nesta manhã o dólar à vista abriu no limite de alta, aos R$ 3,3137 (+5,73%). "Esse nível é completamente possível, porém subir mais do que isso em apenas um dia eu acho pouco provável", disse Takeda.

No pré-mercado em Nova York, a maior carteira de fundos do Brasil caía mais de 13% nesta manhã e os American Depositary Receipts (ADRs) de empresas brasileiras também operavam em forte baixa, com os papéis da Petrobras em queda de 14,6%, os do Itaú Unibanco caíam 12,4% e os da Vale recuavam 8,9% um pouco mais cedo.

No Japão, o mais popular fundo de índice de ações do Brasil, o Next Funds Ibovespa Linked ETF, fechou em queda de 7,54%.

Para Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, a expectativa é de uma destruição muito grande de riquezas nos próximos dias, e há um grande risco de investidores estrangeiros deixarem o País para não voltar tão cedo.

“O mercado vinha apostando numa melhora de cenário aliada à expectativa de que a reforma da Previdência seria aprovada, mas agora não há mais espaço para isso”, disse. “Tudo o que conseguimos nesse um ano de governo Temer está sendo perdido.”

Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o que mais se lamenta é que as reformas vão ficar paradas.

“Vamos pagar o preço pela irresponsabilidade do presidente Temer”, disse. Na avaliação de Vale, se não tiver uma solução rápida para essa crise, “o País será jogado novamente para o caos”.

Para o estrategista-chefe da Upside Investor, Renan Sujii, a reação dos mercados financeiros hoje deve ser bastante forte, não podendo ser descartada a possibilidade de intervenção do Banco Central no câmbio e o acionamento do “circuit breaker” no mercado de ações.

Trata-se de ferramenta usada para interromper as negociações quando os papéis têm volatilidade muito forte.

“Temos um divisor de águas agora, com o agravante de não sabermos o que vem pela frente”, disse.

MONITORAMENTO

O Banco Central (BC) afirmou na manhã desta quinta-feira (18/05), por meio de nota, que está monitorando o impacto das informações e atuará para manter a plena funcionalidade dos mercados.

Ainda na nota, o BC afirmou que esse monitoramento e atuação têm foco no bom funcionamento dos mercados. De acordo com a instituição, "não há relação direta e mecânica com a política monetária, que continuará focada nos seus objetivos tradicionais".

O Tesouro Nacional também se manifestou por meio de nota, dizendo que a instituição "permanece monitorando os impactos decorrentes dos fatos políticos mais recentes".

Sem mencionar as novas denúncias políticas, o breve comunicado informa que o Tesouro "adotará as medidas necessárias para assegurar a plena funcionalidade e a adequada liquidez dos mercados".
 

FOTO: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

 

 

 



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