São Paulo, 23 de Julho de 2017

/ Economia

Empresários querem solução rápida para a crise
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A exemplo de seus pares, Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (na foto) pede o prosseguimento da votação das reformas trabalhista e da previdência

Em um momento em que as empresas vislumbravam melhores resultados, após a economia dar os sinais de recuperação, a citação do presidente Michel Temer na delação dos donos da JBS pode pôr tudo a perder, na opinião de executivos e empresários.

Para evitar que uma nova crise econômica se instale no País, eles defendem a apuração das denúncias e a manutenção da agenda de reformas.

O presidente da Suzano, Walter Schalka, participou esta semana de um evento do Itaú em Nova York, e disse ter notado a rápida virada do humor do investidor internacional sobre o Brasil.

"Ontem (quarta-feira, 17), a visão sobre o País era muito positiva. Hoje (quinta, 18), todo mundo passou a vender o Brasil", disse o executivo, referindo-se ao impacto da delação da JBS.

Schalka afirmou que a melhor solução para o País é a renúncia imediata do presidente. "Acho que a melhor alternativa para o Brasil agora é a renúncia.

A segunda melhor é a chapa Dilma-Temer ser cassada. A terceira é o impeachment. E a quarta e pior alternativa é a permanência de Temer sem legitimidade e credibilidade."

O presidente da subsidiária brasileira da americana Cargill, Luiz Pretti, afirmou que a economia parecia no caminho de uma retomada, ainda que lenta, baseada na queda dos juros, na recuperação do emprego e nas reformas previdenciária e trabalhista. De repente, frisou ele, a maré mudou.

"Passei a manhã explicando a nossos acionistas nos Estados Unidos o que estava acontecendo. É difícil explicar, pois, até a semana passada, o Brasil estava indo pelo caminho certo, tinha um projeto de governo."

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) afirma que o momento do país é grave e exige definições urgentes.

"Os trabalhadores e os empresários não aguentam mais o que os políticos – com honrosas exceções – estão fazendo com o Brasil”, declara Burti.

O presidente da ACSP almeja que “as denúncias sejam investigadas e que todos os culpados sejam punidos, dentro dos preceitos da Constituição; quem não pode ser punido com a incerteza e com a paralisação das reformas é o País”.

"É preciso que o Congresso continue a votar as reformas e que as decisões da Justiça reestabeleçam a tranquilidade institucional, para que o Brasil supere essa grave crise, resolva seus problemas e volte a crescer”, diz Burti.  

Outros dois empresários - Pedro Passos, sócio-fundador da Natura, e Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza - também lamentaram o fato de que a nova crise política pode atrapalhar as reformas econômicas no Brasil.

"Adiar esse projeto (de reformas) prejudica o País e é uma involução. Essa descontinuidade do poder gerar incertezas, e não é bom para o País. Temos de ter calma", ressaltou o fundador da Natura.

BLINDAGEM

Qualquer que seja o desfecho da crise política deflagrada pelas acusações contra o presidente Michel Temer, segundo apurou o Estadão/Broadcast, a estratégia agora é blindar o núcleo da equipe econômica para evitar uma desorganização ainda maior da economia com riscos de ruptura.

O tema foi ponto central das reuniões que aconteceram ontem na área econômica e nas conversas com políticos e representantes do setor produtivo.

O recado transmitido por Meirelles aos representantes do mercado financeiro é de que a gestão econômica continua "firme e serena".

MEIRELLES: TENTANDO TRANQUILIZAR INVESTIDORES

"Vamos aguardar os desdobramentos e os próximos passos do Congresso", disse uma fonte da equipe econômica. Nas conversas com os investidores e empresários, Meirelles também transmitiu a avaliação de que vai continuar trabalhando para a aprovação das reformas.

O ministro afirmou a interlocutores que acredita no "voto de racionalidade" dos parlamentares porque os partidos estão preocupados com a governabilidade e a situação econômica. Meirelles vai procurar os parlamentares para alinhavar o encaminhamento dos projetos no Congresso.

A avaliação é de que a economia está retomando o crescimento, não há expectativa da volta da inflação e nem de um movimento de aumento da taxa básica de juros, disse a fonte. No radar, a preocupação maior com uma rápida contaminação do projeto econômico pela crise política.

 

*Com Redação DC



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