Economia

Empresário pede estímulo e austeridade para o governo


Para Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, documento do PMDB traz resumo do que o país precisa para colocar a economia nos trilhos


  Por Estadão Conteúdo 19 de Abril de 2016 às 12:04

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), no domingo (17/04), faz o empresariado entrar agora em um outro cenário de expectativas: quais medidas econômicas serão aplicadas de forma prioritária, e com rapidez, pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB), caso ele assuma o comando do país, após a votação do impeachment pelo Senado.

Uma pergunta que paira entre executivos e empresários é como será a aplicação do documento "Uma Ponte para o Futuro", espécie de ideário para a economia, divulgado no ano passado, em um eventual governo peemedebista.

O receio é que, diante do caráter impopular de certas medidas incluídas no documento, Temer possa não ir tão fundo nas reformas quanto o que está escrito no papel.

O presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, um declarado defensor do impeachment de Dilma, diz que o documento do PMDB traz um resumo do que o país precisa para colocar a economia de volta nos trilhos: redução do tamanho do Estado, da burocracia e o comprometimento com reformas estruturais, como a da Previdência.

Especialmente no início de seu eventual mandato, Temer teria capacidade de aprovar no Congresso medidas consideradas impopulares. "Os 367 votos que o impeachment teve também precisam ser um voto de confiança no governo que entra. Este pode ser um capital político importante", diz Rocha.

Outra medida importante citada por empresários - e que não precisa da autorização do Congresso para virar realidade - é a queda das taxas de juros.

"Com crédito restrito e dinheiro caro, as empresas correm o risco de quebrar", diz Theo Van der Loo, presidente da Bayer no Brasil. De acordo com ele, o governo deverá manter como prioridade saúde, educação e investimento em infraestrutura.

Além da redução de gastos fora do atendimento básico à população, Van der Loo afirma que o governo precisa fazer um corte de gastos agressivo em sua folha de pagamento e também a reforma da Previdência.

O presidente da Lojas Marisa, Marcio Goldfarb, também defende a "aprovação de reformas estruturais que limitem de forma rígida os gastos públicos."

IMPOSTOS

De acordo com o presidente da Kalunga, Roberto Garcia, a redução da carga tributária é outro ponto importante para a pauta de um eventual novo governo.

"O empresário formal acaba sendo penalizado. E não tem jeito: se não repassar custos para o preço, a empresa acaba quebrando", afirma. Garcia diz também esperar que o Brasil se torne uma economia de consumo, como a dos EUA.

Deusmar Queirós, proprietário da rede de farmácias Pague Menos, é enfático: "O Brasil precisa retomar investimentos. Para isso, o governo deve usar pelo menos um quarto das suas reservas em dólar."

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Foto: Fátima Fernandes