Economia

Em julho, foram criadas 35,9 mil vagas formais de emprego


O resultado foi puxado pela indústria de transformação, que gerou 12,5 mil postos no mês. O comércio também reagiu, abrindo 10,1 mil vagas


  Por Estadão Conteúdo 09 de Agosto de 2017 às 15:59

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Brasil abriu 35.900 vagas de emprego formal em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (09/08) pelo Ministério do Trabalho.

O resultado decorre de 1.167.770 admissões e 1.131.870 demissões. Foi o quarto mês seguido de resultado positivo. Em junho, 9.821 vagas foram abertas.

O resultado mensal foi puxado pela indústria de transformação, que gerou 12.594 postos formais em julho. Outros segmentos com resultado positivo foram comércio (10.156 vagas abertas), serviços (7.714), agropecuária (7.055) e construção civil (724 novos empregos).

Por outro lado, os serviços industriais de utilidade pública lideraram o grupo com fechamento de postos: 1.125 empregos encerrados no mês. Em seguida, estão administração pública (-994) e extrativa mineral (-224).

PODER DE COMPRA

A recuperação do emprego vista em julho não é sazonal e decorre do aumento do poder de compra dos consumidores.

A avaliação foi feita pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. Entre os setores que aumentaram o emprego, o ministro destacou especialmente a indústria, em especial a automobilística.

"Esse foi o quarto mês consecutivo com criação de postos. São empregos que não decorrem de sazonalidade e está claro que tem muito a ver com o poder de compra do consumidor", disse o ministro na divulgação dos dados do emprego de julho, quando foram criados 35.900 postos.

No acumulado de janeiro a julho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou criação 103.258 empregos. O número mostra reversão em relação ao observado em igual período do ano passado, quando foram destruídas 623.520 empregos.

Em tom de comemoração, Nogueira afirmou que os dados do mês passado indicam que o emprego na indústria "decolou". Entre os segmentos da indústria de transformação, o segmento alimentício liderou com 7.995 novas vagas.

Em seguida, o setor de material de transportes apareceu com 2.282 novos empregos. O emprego nesse subsetor, disse o ministro, foi liderado pelas montadoras.

Parte do otimismo do ministro está ligado à reação de setores da economia que necessitam de crédito, como a venda de automóveis e a construção civil. Para o ministro, iniciativas como a liberação das contas inativa do FGTS permitiram aos brasileiros pagar dívidas e, assim, reduzir o endividamento - o que abre espaço para o consumo.

"No mês que vem acredito que teremos números bem melhores", disse Nogueira. Ele citou como amostra dessa confiança no futuro os novos investimentos que serão anunciados pela montadora General Motors de R$ 5 bilhões para a modernização de fábricas no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

O ministro reafirmou a previsão de que, com a recém aprovada reforma trabalhista, serão criados 2 milhões de empregos em dois anos.

"BRASIL NÃO TERÁ NUMEROS NEGATIVOS ATÉ NOVEMBRO"

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, prevê que o mercado de trabalho criará novos postos de trabalho pelo resto do ano até o mês de novembro. A previsão foi feita durante a comemoração da criação de 35.900 empregos no mês passado.

"Com certeza, em agosto teremos números melhores que julho. O Brasil não terá mais números negativos até novembro. Os dados vão melhorar mês a mês", disse em entrevista coletiva, sem citar um número esperado para o ano.

Ao lado do ministro, o coordenador-geral de estatísticas do Ministério do Trabalho, Mario Magalhães, comentou que os dados de julho indicaram consolidação do processo de recuperação do emprego. "A partir de agora, a tendência é manter essa trajetória", disse.

O técnico reconheceu que o cenário "não é implacável" - especialmente diante do quadro macroeconômico ainda instável, mas explicou que a geração de empregos está cada vez mais disseminada entre os setores.

Após a reação do segmento agrícola no início do ano pela safra e a melhora do comércio por questões sazonais, há sinais mais fortes de melhora nos serviços e, agora, na indústria. "O cenário daqui para frente é positivo. Não falaria isso em julho de 2015 jamais", disse Magalhães.

IMAGEM: Thinkstock