Economia

Economia já pode ter saído do fundo do poço


Comitê de Avaliação da Conjuntura da ACSP acredita em ajuste fiscal mínimo, que mantenha desaceleração da inflação e permita que o Banco Central diminua os juros


  Por João Batista Natali 25 de Agosto de 2016 às 16:00

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Existem poucas informações que sustentem a volta do otimismo a curto prazo na economia. Mesmo assim, persiste a sensação de que os setores empresariais já tenham atingido o fundo do poço e possam superar a recessão.

Foi este, em resumo, o diagnóstico traçado pelos participantes do Comitê de Avaliação da Conjuntura, reunidos nesta quinta-feira (25/8) na ACSP (Associação Comercial de São Paulo).

O comitê permanece em compasso de espera diante de uma espécie de dualidade política que o país atravessa.

De um lado, a intenção em promover o ajuste fiscal e levar à contenção dos gastos públicos. De outro, os obstáculos que o governo enfrenta no Congresso para superar interesses corporativos e pôr em prática o receituário recomendado pela equipe econômica.

Os participantes do encontro acreditam que será provado um ajuste fiscal mínimo, capaz de manter a desaceleração da inflação. Com isso, o Banco Central teria condições para baixar os juros e beneficiar a economia.

A ideia de que os indicadores estejam apenas “menos ruins” é exemplificada pelos dados nacionais do varejo. O fundo do poço pode ter se situado em junho. Mesmo assim, no período de 12 meses terminado em julho, a queda permanece importante: 6,7%. E a previsão é de que em 2016 o volume negociado caia em 5,1%.

O varejo como um todo, com números ainda negativos, poderá se recuperar integralmente apenas no final de 2017, segundo um dos dirigentes empresariais do Comitê de Avaliação da Conjuntura.

Nos shopping centers o quadro é particularmente delicado, com a queda do faturamento e o aumento, de 15% para 25%, do custo de ocupação cobrado aos lojistas (eles faturam menos, e precisam pagar uma parcela proporcionalmente maior).

É também generalizado, entre os lojistas de shoppings, o quadro dentro do qual os franqueados não conseguem pagar o que devem aos franqueadores.

Há ainda uma expectativa ligeiramente melhor com relação aos índices de confiança, que são menos negativos nas regiões Norte e Nordeste, mas ainda decepcionantes na região Sul.

Entre os consumidores paulistas, a queda permanece mais acentuada nas classes A e B, provavelmente porque, em razão de um grau maior de informação, elas estejam mais pessimistas quanto ao reajuste fiscal.

 A grande surpresa negativa de julho veio do setor farmacêutico, que vinha se comportando como uma exceção à regra da crise. Naquele mês, o faturamento foi inferior em 8,5% com relação ao mesmo mês de 2015.

O setor de embalagens passou a piorar menos. A queda do faturamento em julho foi de 1,1%, se comparado ao mesmo mês do ano anterior.

Mas no setor de eletrônicos o diagnóstico permanece bem negativo. De janeiro a junho, a venda de linha branca caiu 9,8%, a de linha marrom (televisores), 18,7%, e os portáteis, em 19%.

Uma informação preocupante vem do setor de cartões de crédito. A cada dez portadores, quatro pagaram apenas o mínimo da fatura recebida em julho.

São consumidores que estão financiando suas dívidas, enquanto os bancos reservam linhas de crédito de até 55 meses para acolher essa parcela de inadimplentes.

O fato de as pessoas estarem com menos dinheiro – em razão do desemprego ou da queda do poder aquisitivo familiar – registra uma outra informação negativa bastante eloquente.

Em julho último, 157 mil usuários deixaram seus planos de saúde. Eles correspondem, num único mês, a 0,32% do total de segurados.

Desde o início da crise, deixaram os planos de saúde 2 milhões de segurados.

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