Economia

Crise política põe investimento em compasso de espera


Para o Ipea, PIB deve crescer 0,7%, e o investimento, 0,1%, neste ano, mas números podem ser revistos


  Por Estadão Conteúdo 06 de Junho de 2017 às 13:44

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A nova crise política que atingiu o governo Michel Temer, após a delação do empresário Joesley Batista, da JBS, eleva o risco de frustração do início da recuperação dos investimentos no país.

A análise é do técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Leonardo Mello de Carvalho, responsável pelo Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).

"A gente ainda está em compasso de espera em função da turbulência política e existe uma possibilidade disso afetar o investimento. A decisão (de investir) tem sempre muito peso na expectativa", diz ele.

Se aumenta a incerteza no campo econômico e político é natural que empresários adiem essa intenção, de acordo com Carvalho, para quem é fundamental que se preserve a equipe econômica e as reformas em qualquer circunstância.

O Ipea trabalha com uma estimativa de crescimento de 0,7% para o Produto Interno Bruto (PIB) e de 0,1% do investimento em 2017, mas poderá revisar esses números no fim deste mês.

No caso da FBCF, o diagnóstico já levava em conta um momento de saída da recessão, com resquícios como a alta capacidade ociosa, mas o início de uma trajetória de recuperação gradual.

Nesta terça-feira (06/06), o instituto divulgou seu indicador de FBCF referente a abril. O dado apontou alta de 0,6% ante março, quando registrou recuo de 4,3%.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, entretanto, o indicador foi negativo em 7,7%. A queda acumulada no ano chega a 4,7% e é de 6,0% nos 12 meses acumulados até abril.

O desempenho positivo na margem foi calcado na maior produção doméstica de bens de capital e no aumento das importações, ambas com peso importante no indicador.

Por enquanto, diz Carvalho, a pequena melhora se apresenta na reposição de equipamentos por depreciação, sem aumento de capacidade na indústria.

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Foto: Thinkstock