São Paulo, 29 de Abril de 2017

/ Economia

Consumo fraco deve limitar benefícios de juros menores
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Para a Moody´s, a economia brasileira só avança com o crescimento sustentado da demanda

A forte queda nas taxas de juros e na inflação do Brasil terá impacto inicial apenas limitado sobre a economia e os tomadores de crédito do país, de acordo com relatório da Moody's. Uma melhora mais substancial só virá com um avanço sustentado da demanda.

Após três anos praticando uma política monetária conservadora, o Banco Central brasileiro vem reduzindo juros e deverá manter a tendência até pelo menos 2018, à medida que a inflação se desacelerar, prevê a Moody's.

Atualmente em 11,25%, a Selic poderá cair para menos de 9% no fim do ano, depois de atingir o pico de 14,25% em 2016, de acordo com a agência de classificação de risco.

"Taxas referenciais mais baixas não se traduzirão rapidamente em juros menores para consumidores e empresas, no entanto".

"As taxas de juros no Brasil também incorporam outros fatores, tais como risco de crédito no balanço patrimonial dos bancos, impostos e seguro de depósitos. O prazo para que esses fatores sejam ajustados será maior."

O processo de melhoria das condições de crédito ocorrerá em duas etapas, começando com um período de desalavancagem que se estenderá por 2018 e seguida por um aumento gradual no estoque de crédito, consumo e investimento, de acordo com Marianna Waltz, diretora-gerente da agência.

Ainda na avaliação da Moody's, a queda nos juros terá impactos variados nos diferentes setores da economia brasileira.

Além de esperar uma redução na despesa com juros do governo, a agência prevê que a relação pagamento de juros sobre receita do Brasil continuará alta em relação a de outros países com mesma nota soberana, mas que o índice médio se manterá nos níveis pré-crise, de cerca de 20%, em 2017 e 2018.

Além disso, as taxas menores deverão incentivar investimentos mais robustos a partir do próximo ano.

No caso dos bancos, a Moody's prevê que os juros menores reduzirão o risco de ativos e as necessidades de provisionamento para perdas com empréstimos.

Para a Moody's, as taxas mais baixas beneficiarão companhias do setor não financeiro, que também terão menores despesas com juros, mas várias delas estão apenas começando a se recuperar, após a forte deterioração de suas métricas de crédito

Quanto ao setor de infraestrutura, a Moody's avalia que o benefício de juros baixos será ofuscado pela demanda limitada por serviço, em meio ao fraco crescimento da economia brasileira.

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Imagem: Thinkstock



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