São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Economia

Confiança do consumidor continua em baixa
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Insegurança em relação ao emprego e ao futuro das finanças estão levando consumidores a diminuir a intenção de comprar eletrodomésticos e bens de valor

O tarifaço e os aumento de juros e de impostos estão abalando a confiança do consumidor, que teme cada vez mais a situação financeira futura e a perda do emprego. 

É o que mostra o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), elaborado pelo Instituto Ipsos, que em fevereiro foi de 128 pontos, número nove pontos inferior ao registrado em janeiro deste ano.

Desde dezembro, a queda do INC foi de 20 pontos. Em fevereiro de 2014, o índice registrava um otimismo maior, de 145 pontos. A pesquisa ouviu 1,2 mil pessoas em 72 cidades brasileiras no mês passado. O índice varia de zero a 200 pontos, sendo que o último número representa o otimismo máximo.

“A queda do INC de fevereiro se deve ao fato de que o consumidor está mais inseguro em relação ao seu emprego e ao futuro, o que se reflete na sua intenção de compras. E esse quadro também pode ser explicado pela alta da inflação e pelo tarifaço, com aumento de tarifas de energia elétrica, transporte e combustíveis. Outro fator é a elevação da taxa de juros para combater a inflação”, afirma Rogério Amato, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). 

 

 

Os principais sentimentos que têm tirado o otimismo do consumidor são o medo de perder o emprego e a incerteza quanto à situação financeira no futuro. Pela primeira vez desde 2010, a parcela dos que se sentem inseguros em seus empregos superou o percentual dos que se sentem seguros. 

Segundo o INC, 37% dos entrevistados disseram que não se sentem seguros no emprego.

Apesar desse sentimento, o número de pessoas conhecidas dos entrevistados que perderam, de fato, o emprego continua sendo o mesmo, de três pessoas em fevereiro, ante 3,3 em janeiro.  Ou seja, o desemprego que aparece em dados oficiais ainda não se tornou realidade na família ou na região em que o entrevistado mora.

Em relação à situação financeira no futuro, 47% disseram esperar por uma melhora. Esse percentual, porém, já foi maior: de 50% em janeiro e de 52% há um ano. 

A pesquisa mostra que 43% consideram a situação financeira atual boa, um aumento sobre janeiro (40%), mas com queda sobre fevereiro de 2014, quando 46% tinham essa percepção. 

“Quem acha que está com a situação financeira boa, no entanto, sabe que isso é consequência de esforços próprios e porque parou de consumir”, diz Alfieri. 

Por isso, o INC mostra que 40% disseram não ter a intenção de comprar eletrodomésticos, contra 32% que se mostraram mais à vontade para fazer isso. 

Quanto questionados sobre a compra de bens de alto valor, como automóveis e imóveis, 52% dos entrevistados disseram ter menos disposição para fazer isso, contra 24% que se mostraram favoráveis. 

REGIÕES: DESTAQUE PARA NORTE E CENTRO-OESTE

Quando se trata de avaliar a confiança por regiões, houve reação positiva no Norte e Centro-Oeste, onde o INC subiu de 140 pontos em janeiro para 154 em fevereiro.

A maior queda na confiança, de 23 pontos, ocorreu no Sul do país, onde a pontuação passou de 152 para 129 de janeiro a fevereiro. No Sudeste, caiu de 136 pontos para 123 pontos no mesmo período. E no Nordeste, de 132 pontos para 125 pontos. 

Nas capitais a confiança se manteve estável em 129 pontos, mas houve queda no interior (de 140 pontos para 128 pontos) e nas regiões metropolitanas, onde o recuo foi de 144 pontos para 122 pontos. 

O pessimismo está presente em todas as classes sociais, mas o tombo foi mais forte na C por causa do aumento dos juros e a restrição no crédito. O INC deste segmento passou de 143 pontos em janeiro para 134 pontos em fevereiro.

No entanto, o estrato social mais pessimista, segundo a pesquisa, é a classe AB, com 110 pontos no INC. Também houve queda na confiança das pessoas das classes D e E, cujo INC passou de 137 pontos para 130 pontos, de janeiro a fevereiro. “Um componente que pode ter pesado é a inflação de alimentos, que também subiu”, diz Alfieri. 



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