Economia

Confiança do empresário despenca


Indicador de confiança da FGV tem recuo de 9,4% entre abril e junho e reforça os prognósticos desfavoráveis para a economia


  Por Redação DC 02 de Julho de 2015 às 12:21

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A falta de confiança é generalizada. O Índice de Confiança Empresarial (ICE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado nesta quinta-feira (02/07), desabou no segundo trimestre, puxado principalmente pelo pessimismo com a situação atual da economia e dos negócios. Com isso, o indicador recuou 9,4% na média de abril a junho em relação ao  primeiro trimestre.

Na média do primeiro trimestre, o ICE caiu 8,6% ante igual trimestre de 2014. Economistas esperavam, em média, um recuo de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do período – o que justificaria boa parte do pessimismo.

No entanto, o resultado acima das expectativas não serviu de alento ao mercado. No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sinalizou um encolimento de 0,2% na economia nacional. 

Outros dois indicadores de confiança empresarial também mostraram queda. A dos empresários industriais paulistas ficou em 45,9 pontos em junho na pesquisa Sensor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ante 43,8 pontos da sondagem de maio.  

O índice de confiança dos empresários de pequenos e médios negócios para o terceiro trimestre atingiu 57,4 pontos, uma queda de 0,5% quando comparado ao do segundo trimestre, de acordo com a pesquisa do Insper/Santander. Com isso, o indicador atingiu o menor nível da série histórica.   

Essa generalização dos indicadores reforça o ciclo da crise e não oferta qualquer expectativa de melhora no curto e médio prazo, afirma Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

"Isso faz com que o empresário jogue na defensiva, não expanda, não invista e se retraia na mesma proporção em que diminui a confiança no futuro", diz.  

A situação é pior ainda mais no âmbito da PMEs que, mesmo numerosas, têm menor capacidade e mais dificuldades para conseguir crédito e administrar o seu mercado, mais estreito e com menos espaço para manobra. 

“É uma profecia autocumprida: todos acham que vai piorar e se preservam, não arriscam. Agora é torcer para que o que está sendo feito este ano [os ajustes do governo] ajudem a economia a ter uma retomada em 2016.”

Foto: Thinkstock (com informações do Estadão Conteúdo)