São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Economia

Como as associações comerciais buscam erguer as vendas
Imprimir

Os supermercados, farmácias e perfumarias são os únicos setores que ainda sustentam números positivos no Estado de São Paulo. Conheça as ações que podem ajudar o comércio a vender mais e a reduzir custos

Diante das repetidas quedas nos números de suas vendas, muitos lojistas procuram alternativas para reduzir os custos e alavancar o consumo. No interior de São Paulo, em Piracicaba, uma ação da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba) tem ajudado consumidores a comprar mais, gastando menos, e comerciantes a vender mais.

Batizado como Cartão de Descontos, o benefício foi criado exclusivamente para seus associados com o objetivo de incentivar as relações comerciais entre a rede de empresas cadastradas. A intenção é propiciar uma troca de benefícios e descontos entre os lojistas, seus funcionários e dependentes.

Desde então, o número de adesões só cresce. Existem duas formas de adesão: a empresa associada pode fornecer descontos (de acordo com sua política interna) em seus produtos ou serviços para os clientes que possuírem o cartão, ou então disponibilizam cartões para seus funcionários e dependentes para que eles tenam descontos junto a outras empresas participantes. O associado também pode participar, aderindo às duas modalidades citadas.

Lançado em 2008, existem duas formas de utilização do cartão. Qualquer empresa associada pode fornecer os descontos desejados em seus produtos ou serviços para os clientes que possuírem o cartão – sejam lojistas, funcionários ou dependentes.

NETO: CARTÃO DE DESCONTOS PARA 4.423 PESSOAS/ FOTO: DIVULGAÇÃO

Angelo Frias Neto, presidente da Acipi, diz que são 4.423 beneficiários, que podem aproveitar descontos dos setores do comércio, da indústria e da prestação de serviços.

Cada empresa determina o valor dos descontos e o prazo de validade, de acordo com suas possibilidades e estrutura. “A Acipi não influencia nesta decisão, mas orienta o associado a oferecer um desconto real, além do que é normalmente concedido no dia a dia para os clientes.“

Pelo site da Acipi é possível saber quais empresas estão cadastradas e quais são os descontos oferecidos. Além desta atualização, o jornal local A Tribuna também publica uma relação de ofertas, semanalmente.

Para Neto, o Cartão de Descontos possibilita a captação de novos consumidores e a fidelização de clientes atuais, atuando como uma ferramenta fomentadora das atividades comerciais na cidade.

“O comércio, assim como qualquer outro setor, faz parte de um mercado cada vez mais competitivo. Participar da relação de empresas que disponibilizam o cartão de descontos é mais uma importante forma de marcar presença e fazer a diferença.”

 ACCELULAR

Em São Paulo, a ACSP (Associação Comercial de São Paulo) lançou o ACCelular, um serviço de telefonia móvel, pelo qual é possível criar um plano baseado no orçamento do associado.

ACCELULAR DIRECIONADO PARA EMPRESÁRIOS QUE QUEREM ECONOMIA E AUTONOMIA

A intenção é oferecer alguns benefícios exclusivos aos usuários, como gestão de consumo online, contrato flexível, atendimento personalizado feito pela ACSP, pacote de serviços, cobrança de apenas duas tarifas – local e interurbano, além de chamadas gratuitas entre celulares do mesmo grupo (com o mesmo código de área), e garantir uma economia de no mínimo 20%, em relação a outras operadoras.

Via internet, é possível controlar o quanto cada uma das linhas está gastando, e também pelo Tele Gestor (sistema de gestão online) deslocar créditos de uma linha que está gastando menos para uma que tem maior demanda.

“Todas as linhas contratadas possuem tarifa zero, o que permite que o usuário fale ilimitadamente entre todas as suas linhas sem ser tarifado por isso, além de poder falar da mesma forma com os demais usuários do plano, ou seja, a empresa pode falar com todas as empresas que utilizam o ACCelular, sem pagar pelas ligações”,  diz Othavio Parisi, superintendente comercial da ACSP.

O serviço é contratado por meio da ACSP, que fica responsável também pela administração do plano escolhido, comunicação com os associados sobre reclamações, problemas técnicos, informações sobre os serviços contratados, e cobranças indevidas.

PARISI: "FLEXIBILIDADE E TARIFA ZERO"/ FOTO: DANIELLE PESSANHA

“O associado realiza a gestão de cada linha, distribuição de sua franquia e total flexibilidade de uso, já que os serviços são tarifados de forma transparente e fixa, pois realizamos o faturamento baseado no uso real das empresas.”

SEM FIDELIDADE

Quem não quiser contratar somente o plano com chip, pode optar também pela retirada de um aparelho gratuito, em formato de comodato pelo período de 24 meses. Após o vencimento do contrato, os aparelhos passam a ser do associado.

O associado que solicitar apenas os serviços (linhas de voz e internet), não terá nenhum prazo de fidelidade, muito comum em todas as operadoras.

Como os associados, há dois anos, a ACSP também trocou de operadora e passou a utilizar a novidade. A mudança no plano já é responsável pela diminuição de 50% dos gastos.  

Além da capital, outras sete cidades do Estado já oferecem o serviço através das Associações Comerciais locais. Em São Paulo, 500 empresas utilizam o serviço, que juntas somam 10 mil linhas. A perspectiva é consolidar o produto em outras 20 cidades e lançá-lo em outros Estados.

SUPERMERCADOS, FARMÁCIAS E PERFUMARIAS RESISTEM

A pesquisa ACVarejo, da ACSP, revela que o mês de fevereiro de 2015 foi marcado por fortes quedas nos volumes de vendas no varejo em todos os setores econômicos na comparação ao mesmo período de 2014.

Como vem sido registrado nos últimos balanços, o setor mais atingido foi o de concessionárias de veículos (-26,2%), seguido por autopeças/acessórios (-24,5%) e lojas de material de construção (-21,2%).

Os setores que perderam menos em fevereiro de 2015, no que se refere às vendas físicas, foram farmácias/perfumarias (-7,5%) e supermercados (-7,5%).

Esses mesmos segmentos foram, inclusive, os poucos que tiveram saldos positivos em janeiro e que se saíram melhor quando se analisam os últimos 12 meses. No comparativo que envolve os doze meses terminados em fevereiro, as vendas físicas de farmácias e perfumarias, supermercados e itens de menor valor aumentaram 6,5%, 3,5% e 1,3%, respectivamente, enquanto os demais segmentos apresentaram recuo.

As vendas físicas do comércio ampliado (que inclui automóveis e material de construção) registradas em fevereiro na cidade de São Paulo mostraram recuo em relação a janeiro (-12,5%), ante a fevereiro de 2014.

Em fevereiro, o volume de vendas do Estado de São Paulo teve retração mensal tanto do varejo ampliado como do restrito (-13,4% e -12,0%, respectivamente) e queda em relação ao mesmo mês de 2014 (-14,9% e -11,5%).

De acordo com o boletim, os resultados estão bastante influenciados pelo menor número de dias úteis no mês de fevereiro, que também contou com o Carnaval neste ano.  

“Os dados acumulados em 12 meses, já livres da influência do ‘efeito-Carnaval`, indicam que continua a tendência à desaceleração das vendas do varejo, mais fortemente notada nos bens mais caros e dependentes do crédito, que são automóveis, eletroeletrônicos e material de construção – este último sofre inclusive os efeitos do arrefecimento da demanda por imóveis”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).



Na última reunião plenária do ano realizada pela ACSP, os empresários lamentaram as baixas de 2016, mas demonstraram expectativas positivas para o próximo ano

comentários

Fiel aos princípios que guiaram sua fundação, a trajetória da ACSP, que completa 122 anos nesta quarta-feira (7/12), foi marcada por ações e posições que a colocam como partícipe da vida política, econômica e social da cidade de São Paulo, do Estado e do País

comentários

É a primeira vez desde fevereiro de 2014 que o volume produzido em um mês supera o resultado alcançado em igual mês do ano anterior, de acordo com a Anfavea.

comentários