São Paulo, 22 de Maio de 2017

/ Economia

Após 22 meses de queda, 35 mil vagas de emprego são criadas
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Os dados do Caged, de fevereiro, mostram que o setor de serviços foi o que mais empregou. Por outro lado, o comércio demitiu 21 mil trabalhadores

A economia brasileira criou 35.612 novas vagas de emprego formal no mês de fevereiro, resultado de 1.250.831 contratações e 1.215.219 demissões. Esse foi o primeiro resultado positivo após 22 meses seguidos com queda do número de empregos formais - desde março de 2015. 

Para os meses de fevereiro, esse é o primeiro resultado positivo desde 2014, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os dados consideram apenas empregados com carteira assinada.

O número foi anunciado em coletiva pelo presidente Michel Temer. "É preciso começar e o começo veio por essa notícia que estou dando a vocês", disse. “Vocês sabem que a economia brasileira volta a crescer e os sinais desse fato são cada dia mais claros”, completou.

SERVIÇOS FOI DESTAQUE

Cinco dos oito setores econômicos geraram empregos no mês de fevereiro, de acordo com os dados do Caged. 

O setor de serviços foi o que mais gerou empregos, com saldo positivo de 50.613 vagas. A administração pública teve saldo positivo de 8.280 vagas. 

De acordo com o coordenador-geral de Estatísticas do Ministério do Trabalho, Mário Magalhães, nesses dois setores o resultado pode ser atribuído a contratações na área de ensino.

A agropecuária também contratou mais do que demitiu em fevereiro, com saldo positivo de 6.201 vagas. A indústria de transformação gerou 3.949 postos de trabalho, segundo mês consecutivo de saldo positivo. 

O setor de serviços industriais de utilidade pública (SIUP) registrou saldo positivo de 1.108 vagas.

COMÉRCIO FECHOU VAGAS

O comércio foi o setor que mais fechou vagas, com 21.194 demissões. A construção civil registrou saldo negativo de 12.857 vagas. E setor de extração mineral registrou saldo negativo de 488 vagas.

Magalhães disse ainda que a divulgação dos dados do Caged não foi antecipada. Segundo ele, a meta é informar os dados entre os dias 18 e 22 de cada mês. Ainda de acordo com ele, houve atraso para processar os dados de janeiro, divulgados há menos de duas semanas, no dia 3 de março. "O País merece essa divulgação", disse.

SEGUNDO SEMESTRE

O economista Thiago Xavier, da consultoria Tendências, avalia que a criação de 35,6 mil vagas de trabalho em fevereiro reforça a visão de que o ciclo de ajustes no mercado de trabalho está perdendo força.

Entretanto, ainda que tenham menor intensidade, esses ajustes continuam, segundo o economista, ao apontar que o saldo do mês passado foi puxado por efeitos sazonais. 

Se retirada essa influência, a Tendências estima que 61 mil postos foram extintos em fevereiro. O saldo sem os efeitos sazonais - que não é uma conta do governo, mas sim da consultoria - tem sido negativo desde outubro de 2014, com exceção de dezembro passado, observa Xavier.

"O resultado de fevereiro mostra uma melhora, mas uma melhora limitada", avalia o economista. 

Para ele, a influência sazonal pode estar por trás, principalmente, do desempenho do setor de serviços, que puxou o resultado de fevereiro com a criação de 50,6 mil postos. 

Só no subsetor de ensino, foram 35,5 mil novos postos, de acordo com dados do Caged.

Conforme as previsões da Tendências, as contratações devem ganhar velocidade no segundo semestre, acompanhando a melhora da atividade econômica. A expectativa da consultoria é que 600 mil vagas sejam criadas no ano. Ainda assim, Xavier lembra que o desempenho será insuficiente para compensar os 3 milhões de postos perdidos nos últimos dois anos.

IMAGEM: Agência Brasil



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