São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Economia

Apesar da crise, comércio é destaque de emprego em SP
Imprimir

Varejo consegue manter números positivos em emprego, vendas no e-commerce e queda no volume de dívidas

Mesmo com o volume de vendas em queda, o comércio foi o único segmento que registrou aumento no número de postos de trabalho no quarto trimestre de 2014, com a geração de 20.504 vagas no Estado de São Paulo.

A alta foi de 1,2% em relação ao trimestre anterior. A informação é da Fundação Seade, com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego) do Ministério do Trabalho e Emprego.

De modo geral, houve uma queda de 1,3% no estoque de empregos formais nas empresas paulistas no último período de 2014, que foi impulsionada pela variação negativa praticamente generalizada entre os diferentes setores de atividade.

De acordo com a Fundação Seade, na passagem do terceiro para o quarto trimestre foram eliminados 94.578 postos de trabalho na indústria de transformação, o que representa uma redução de 3,5% no saldo líquido de empregos do segmento - o destaque neste setor fica por conta da fabricação de produtos alimentícios e bebidas (-27.684 postos ou -6,6%) e da indústria metal-mecânica (-25.874 postos ou -2,4%).

Já nos serviços houve diminuição de 60.240 postos de trabalho no período, provocando uma queda 0,5% no saldo de empregos formais. O agronegócio também teve redução de 49.672 no número de vagas, gerando um encolhimento de 11,8% nos empregos formais. A construção seguiu o mesmo ritmo, com queda de 40.964 postos de trabalho, ou 4,4%.

No acumulado do ano, o pequeno aumento de 0,3% no número de empregos formais no Estado de São Paulo se deveu principalmente ao crescimento no setor de serviços, que teve variação positiva de 2,3%, ou 140.737 postos de trabalho.

LEIA MAIS: Queda no PIB evidencia recessão em 2015

DÍVIDAS CAEM 0,29%

O comércio registrou queda das dívidas em atraso em maio. Na comparação com o mesmo mês de 2014,  houve diminuição de 0,29%, segundo a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). 

A variação geral foi de uma alta de 6,70%, com destaque para as contas de água e luz (13,31%) e comunicação (12,02%). No segmento de bancos, o aumento das pendências nessa mesma base de comparação foi de 10,10%.

O presidente da CNDL, Honório Pinheiro, lembrou que o comércio consegue "fugir" de atrasos por conta de alguns pontos, como o uso do cartão de crédito, que leva a inadimplência para os bancos, o pagamento à vista pelo produto e financiamentos próprios, com taxas de juros mais baixas do que a das instituições financeiras.

A economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, salientou, no entanto, que a piora da inadimplência e das dívidas em atraso - que são contabilizadas em um prazo menor - pode ser atribuída à deterioração dos indicadores macroeconômicos.

"É isso que está fazendo com que o consumidor fique cada vez mais inadimplente. O Brasil não vive uma inflação de demanda, mas tem problema de produtividade por trás. Queremos crescer de verdade e não apenas por um ano ou dois", considerou.

De acordo com ela, sazonalmente, os indicadores de maio para dívidas em atraso e inadimplência são mais negativos do que os dos meses anteriores, mas este ano essa sazonalidade foi potencializada. "O cobertor está curto por conta da inflação e pagar dívidas está cada vez mais difícil", considerou. Mesmo assim, enfatizou, o comércio tem mostrado inadimplência mais bem comportada do que o restante das atividades.

LEIA MAIS: Índice de Confiança traz pela primeira vez classes D e E mais otimistas

VENDAS ONLINE SUPERARAM O VAREJO FÍSICO EM MAIO

Com um cenário similar ao de abril, as vendas nas lojas físicas registraram mais uma queda em maio, enquanto no comércio eletrônico o mês foi de novo saldo positivo. De acordo com o SpendingPulse, relatório mensal sobre o comércio varejista da MasterCard, no mês passado as vendas do comércio varejista restrito (que exclui automóveis e materiais de construção) nas lojas físicas caíram 4,6% ante igual período de 2014, puxando a média dos últimos três meses para uma queda de -0,9%. Em abril, as vendas já haviam registrado retração de 2,1%.

Por outro lado, depois de subir 8,1% em abril, as vendas do varejo online cresceram 7,4% em maio sobre o mesmo mês do ano passado. Segundo Kamalesh Rao, diretor de Pesquisa Econômica da MasterCard Advisors, nem mesmo com o Dia das Mães, que é a segunda data comercial mais importante do Brasil, as vendas conseguiram sair do seu atual ritmo de queda.

"A fraca confiança do consumidor, somada ao crescimento da taxa de desemprego, à inflação alta e ao aumento do comprometimento da renda das famílias, aponta para um ambiente hostil para as vendas no Brasil", afirmou Rao, em nota. "Sem uma melhora do ambiente econômico, será difícil a retomada nas vendas do varejo num futuro próximo", completou.

LEIA MAIS: As novas táticas do comércio eletrônico para segurar os clientes

NAMORADOS VÃO GASTAR MENOS

Os brasileiros pretendem gastar um valor médio de R$ 138,00 com o presente para o Dia dos Namorados, no próximo dia 12, segundo a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).

A expectativa, no entanto, é de que o volume de vendas no período seja, na melhor das hipóteses, equivalente ao de 2014. "A sondagem nos revelou que 52% dos brasileiros planejam gastar menos este ano", disse a economista do SPC, Marcela Kawauti.

A economista lembrou que a data, em 2014, foi afetada pela abertura da Copa do Mundo de futebol, em junho. "Já havia uma pequena desaceleração da economia e um forte potencializador, que foi a Copa do Mundo. O resultado deve ser parecido com 2014, que já foi ruim", diz.

De acordo com o levantamento, o gasto médio pelos homens será de R$ 164,00 e o das mulheres, de R$ 114,00. "Não está muito animador. Parece que muitos vão passar sem presentes", considerou o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

Marcela afirma que, em função do aumento da inflação, os produtos estão mais caros também, o que deve fazer com que haja "substituição" de presentes por itens mais baratos. Tradicionalmente, roupas são os itens mais procurados para a data, seguidas de calçados e eletrônicos.

A economista salientou ainda que metade das pessoas entrevistadas pelas entidades pretende comemorar a data em casa. Isso também é reflexo da atividade econômica fraca, segundo a economista. "É mais barato do que pagar serviços", disse.

*Foto: Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo



Redução dos postos de trabalho desacelerou ante igual mês de 2015, quando foram fechadas 86,5 mil vagas, segundo o Caged

comentários

A regularização da modalidade é considerada como ótima ou boa por 53,7% dos empresários, de acordo com a CNDL

comentários

Ritmo de crescimento é inferior aos 17% de 2015, segundo o Índice Cielo. Mesmo assim, desempenho é superior à média do varejo total no período, que foi de 4%

comentários