São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Economia

Ano começou mal para o varejo paulista
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A diminuição do poder de compra do consumidor, que passou a conviver com altas na inflação e com dificuldades para obter financiamento, foi apontada em boletim da ACSP como responsável pelo resultado ruim no período

As vendas do varejo paulista caíram 8,4% no primeiro trimestre, na comparação com igual período do ano passado. A informação aparece no Boletim ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e se refere às vendas físicas do varejo ampliado, que inclui concessionárias de veículos e lojas de material de construção. No acumulado em 12 meses as vendas registram queda de 2,1%.

“Esses resultados mostram que a desaceleração nas vendas prossegue e se acentua. O comércio sofre os efeitos negativos do aumento da inflação, da diminuição da massa salarial, do crescimento do desemprego e da restrição ao crédito, resultando em queda da confiança do consumidor”, analisa Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Segundo projeções dos economistas da ACSP a tendência é de aprofundamento na desaceleração das vendas no comércio paulista durante o segundo trimestre de 2015, podendo terminar o ano no campo negativo.  

No mês de março também houve queda (- 9,8%) em comparação com igual mês do ano passado. Mas houve aumento de 9,4% na comparação com fevereiro.

SETORES 

De acordo com o boletim da ACSP todos os setores do varejo ampliado sofreram perdas nas vendas físicas no primeiro trimestre e em março, sobre iguais períodos de 2014, com destaque para os produtos de maior valor, que são mais dependentes de financiamento. 

As vendas nas concessionárias de veículos apresentaram quedas de 16,5%, no trimestre, e de 9,5% em março, ante março de 20014. Já na passagem de fevereiro para março houve aumento de 20,4%.   

Nas lojas de material de construção foram registradas perdas de 11,5% no trimestre e de 10,3% em março – em relação a 2014. Em março de 2015 ante o mês anterior foi verificado crescimento sazonal nas vendas (+7,8%). 

No setor que abrange lojas de departamento, eletrodomésticos e eletroeletrônicos houve recuos de 9,5% no trimestre e 9,3% e em março, em comparação com 2014. Em relação a fevereiro de 2015 o avanço sazonal foi de 20% em março.   

“Chama a atenção o fato de que até mesmo as vendas de artigos de uso mais essencial, das farmácias e supermercados, e de itens de menor valor, apresentaram contrações”, observa Alencar Burti.   

Nas farmácias e perfumarias as vendas caíram 1,1% e 0,6% no trimestre e em março em relação aos mesmos períodos de 2014. Nos supermercados as quedas foram de 4% e 8,5% nas mesmas comparações.  

CAPITAL

Na capital paulista as vendas no varejo tiveram desempenhos parecidos com os do Estado, com recuos de 9,4% no trimestre, de 8,8% em março e de 3,3% nos últimos 12 meses, tendo como referências as mesmas bases de comparação.

BRASIL

Segundo dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), o movimento nacional do comércio varejista caiu 1,2% em abril ante março. Na comparação com abril do ano passado houve alta de 0,5%. 

Na variação acumulada em 12 meses, a alta é de 1,4%, uma desaceleração de 0,5 ponto porcentual em relação ao acumulado até o mês anterior. Na comparação em 12 meses, essa é a menor taxa desde o início da atual série histórica, iniciada em abril de 2012.

Segundo os analistas da Boa Vista, o indicador continua apresentando desaceleração em sua tendência de longo prazo, fato observado desde meados do segundo semestre do ano passado. "Para 2015, fatores macroeconômicos como elevação de juros, piora do mercado de trabalho, aumento de tributos e inflação em patamar elevado deverão afetar mais intensamente a confiança e o poder de compra do consumidor", diz a nota da empresa. 

A previsão é que as vendas no varejo terminem o ano com crescimento de apenas 0,5%.

Dentre os principais setores que compõem o índice, "Móveis e Eletrodomésticos" apresentou queda de 3,6% entre março e abril, descontados os efeitos sazonais. A variação acumulada em 12 meses foi +1,9%. 

A categoria "Tecidos, Vestuários e Calçados" caiu 1,3% na margem, mas sobe 2,7% em 12 meses. 

Em "Supermercados, Alimentos e Bebidas" há queda de 2,0% e elevação de 1,5%, respectivamente. 

Já no segmento de "Combustíveis e Lubrificantes" os resultados foram de +2,2% em março e +2,4%. E em "Outros artigos de varejo": +10,0% e -4,0%.



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