São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Economia

A má notícia: o setor de serviços acumula queda real de 7,2% em fevereiro
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A boa notícia: isso pode ajudar a reduzir a inflação do setor, que atingiu quase 8,6% em 12 meses até fevereiro

O faturamento do setor de serviços cresceu apenas 0,8% em fevereiro na comparação sobre igual mês de 2014, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (16/4). Segundo o instituto, este foi o menor resultado mensal na comparação com igual mês do ano anterior da série histórica iniciada em janeiro de 2012.

Ao descontar a inflação de serviços medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o setor teve uma queda real de 7,2% em fevereiro sobre o mesmo mês do ano passado. 

O fato é que esta é a segunda vez que o setor de serviços mostra o pior resultado neste ano. Em janeiro, quando o crescimento nominal foi de 1,8% sobre igual mês de 2014, o IBGE já havia divulgado que este tinha sido o menor da série. 

Nos primeiros dois meses deste ano a receita do setor acumula alta de 1,3%. No acumulado de 12 meses, o resultado foi de 4,7% e, nesta base de comparação, foi o menor resultado desde janeiro de 2013.

Economistas avaliam que o arrefecimento do setor de serviços reflete o ritmo fraco da economia, que caminha para uma recessão. Sob esse aspecto pode ter apenas um lado bom: esse esfriamento do setor pode ajudar a reduzir a inflação de serviços ao longo do tempo.

Por outro lado, será mais um de tantos fatores que jogarão contra o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos pela economia). É importante lembrar que o setor de serviços corresponde a 60% da conta do PIB. 

Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), diz que a desaceleração dos serviços pode ajudar a aliviar a inflação do setor que, dentro da composição do IPCA, foi de 8,58% em feverereiro.

"A inflação de serviços tem diminuído desde janeiro, e reflete o menor crescimento do setor. Em janeiro era de 8,76% e em março ficou em 8,03%. Os serviços têm puxado o IPCA para cima, mas sozinho não será o fator de pressão do índice neste ano", avalia o economista. 

Um dos itens que puxou o setor de serviços para baixo foi o de transportes (incluindo correios), que tiveram queda na receita nominal de 1,9% em fevereiro sobre igual mês de 2014. Os outros serviços tiveram recuo de 0,2%. Na categoria transportes, o que chama a atenção do economista é a queda de 4,5% na receita dos serviços aéreos. 

"Mesmo com os descontos oferecidos nas passagens, as companhias não estão conseguindo vender. A demanda caiu e muita gente não vai viajar. Isso reflete o ajuste que o consumidor está fazendo no orçamento, o que inclui trocar marcas, evitar novas compras e gastos", diz o economista da ACSP. 

Um exemplo desse movimento do consumidor é a queda de 3,3% nas vendas a prazo e à vista no primeiro trimestre, segundo levantamento da ACSP. 

O que também influenciou a queda da receita das companhias aéreas foi a menor demanda do setor corporativo - formado por governos e empresas - que respondem pela demanda de 60% dos assentos comercializados. 

Segundo o IBGE, os serviços que ainda exibiram crescimento em fevereiro, com elevação de 6,8% na receita, foram os prestados às famílias. Ainda assim, o ritmo é menor do que o observado em janeiro deste ano, quando o avanço foi maior: de 8,9% sobre igual mês de 2014. 

Outro segmento que ainda registrou um crescimento significativo foi o de serviços profissionais, administrativos e complementares, com avanço de 3,6% em fevereiro sobre igual mês de 2014. Ainda assim, apresentou desaceleração sobre janeiro, quando a alta havia sido de 5,4%. 

Os serviços de informação e comunicação, registraram um aumento modesto, de 0,6% em fevereiro sobre igual mês de 2014. 

A má notícia é que a tendência é de desaceleração do setor, que deve continuar registrando quedas reais ao longo deste ano, e assim acompanhar o desempenho da indústria e da taxa de desemprego. 

Quem diz é Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria. Para ele, o setor ainda passará por um processo de redução de receita por causa da deterioração do mercado de trabalho, do crédito e do nível de confiança. Nos primeiros dois meses deste ano, a taxa de desemprego cresceu 7,4% sobre igual período do ano passado. 

"Alguns segmentos do setor de serviços também estão sendo afetados negativamente pelo mau desempenho da indústria. É o caso de transportes", diz Bacciotti. Para se ter uma ideia, a produção industrial caiu 9,1% em fevereiro na comparação com igual mês do ano passado. 

Roberto Saldanha, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, diz que o transporte terrestre de cargas puxou para baixo a receita dos serviços de transportes em fevereiro por causa da menor demanda da indústria e do setor agropecuário. 

Saldanha diz que os estímulos concedidos pelo governo nos últimos anos para a compra de caminhões levou a um aumento significativo na frota e no número de transportadoras autônomas. Com isso, há atualmente uma "superoferta de frete", que afeta negativamente os preços. O menor crescimento da atividade econômica também afeta o setor.

"Estamos observado problemas conjugados. Além disso, enfrentamos o desaquecimento da economia e o problema de entressafra no setor agropecuário. As empresas industriais estão controlando seus custos", diz o gerente.

*Com informações de Estadão Conteúdo



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