São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Economia

A economia travou, aponta FGV
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Até o setor de serviços, que vinha sustentando o PIB, está enfraquecido nesse início de ano, com queda de 0,7% no primeiro trimestre comparado com o último trimestre de 2014

A economia puxou o freio de mão neste início de ano, e o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 0,27% nos três primeiros meses de 2015 em relação ao último trimestre de 2014, calcula o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), por meio do Monitor do PIB.

Depois de meses deprimindo a atividade doméstica, a indústria cedeu o lugar como destaque negativo para os serviços, que respondem por dois terços da renda gerada no País. No acumulado de quatro trimestres, o setor de serviços também está em queda - algo que, se confirmado, será inédito na série.

O PIB de serviços diminuiu 0,7% no primeiro trimestre em relação aos três últimos meses de 2014. O recuo é explicado principalmente pelo desempenho de comércio, transportes e outros serviços.

O cálculo, porém, inclui apenas 70% das informações para o mês de março - faltam os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que será divulgada em 20 de maio. 

"Com a inclusão desses dados, o PIB de serviços deve ficar ainda pior. Os pagamentos de salários em serviços já estão caindo há algum tempo, há menor demanda por trabalhador. Está reduzindo também a demanda por serviços. Tudo isso afeta o PIB", comentou o economista Claudio Considera, que já chefiou a Coordenação de Contas Nacionais do IBGE e hoje atua como pesquisador associado do Ibre/FGV.

Em 12 meses, o PIB cai 0,9% até março deste ano, com os serviços também no vermelho. A atividade acumula uma retração de 0,2% - a queda, se confirmada pelo IBGE, será inédita nesta comparação desde 1997, quando começa a série. Os dados oficiais serão anunciados em 29 de maio.

"Durante todo o ano passado a indústria já vinha despencando, enquanto os serviços amorteciam. Agora não, e o grande problema disso é que os serviços empregam muita gente. Vai afetar o emprego", avaliou Considera.

Na indústria a crise parece ter se aprofundado rapidamente. Após chegar ao fim de 2014 com recuo de 1,2%, o setor encerrou o primeiro trimestre deste ano com queda maior que o dobro. 

Em 12 meses, até março, a atividade industrial encolheu 2,6% - se confirmado, será o pior resultado desde o fim de 2009 -, diante do desempenho fraco dos segmentos de eletricidade e gás, água e esgoto e da construção civil. 



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