São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Economia

A economia fraca já derruba o emprego
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Mais pessoas decidiram procurar trabalho no momento em que as vagas estão fechando. Isso ajuda a explicar a elevação do índice de desemprego em fevereiro. A taxa subiu mais em São Paulo

O baixo crescimento da economia, que faz as empresas deixarem de contratar, já aparece nos índices de desemprego. Enquanto mais pessoas procuram trabalho, maior tem sido o corte no número de vagas existentes. 

Esse movimento simultâneo é a razão apontada para o aumento da taxa de desemprego em fevereiro, segundo Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em São Paulo, enquanto o IBGE aponta alta de 6,1% no desemprego, a Fundação Seade diz que o aumento foi maior: de 10,5% em fevereiro.

No mês passado, a taxa de desemprego oficial do país foi de 5,9%, a maior desde junho de 2013, quando ficou em 6%, segundo o IBGE, que pesquisa as seis principais regiões metropolitanas do país. 

O índice foi maior do que o de janeiro deste ano, de 5,3%, e do que o de fevereiro de 2014, de 5,1%. Na comparação com fevereiro de 2014, o total de desempregados subiu 14,1%, o equivalente a 176 mil pessoas a mais à procura de uma vaga.

O resultado também foi o maior na comparação dos índices para o mesmo mês da série do IBGE. O pior fevereiro foi o de 2011, quanto a taxa de desocupação estava em 6,4%.

"Ao longo de 2014, o que a gente vinha observando era uma estabilidade na população que tinha emprego. Não houve expansão de postos de trabalho, mas também não houve redução. Em contrapartida, havia uma população desocupada que só caía. A desocupação não pressionava o mercado de trabalho e também não havia dispensa de trabalhadores ocupados", afirma.

DESEMPREGO AUMENTOU EM SÃO PAULO

Na região metropolitana de São Paulo a taxa de desemprego foi de 6,1% em fevereiro, superior à taxa de 5,7% de janeiro, de acordo com o IBGE. O resultado também foi maior do que o de fevereiro de 2014, quando este índice era de 5,5%.

A região respondeu pelo corte de 201 mil vagas no período de um ano. O setor de produtos alimentícios e bebidas demitiu 50 mil pessoas, enquanto a indústria automotiva dispensou outros 43 mil trabalhadores.

De acordo com dados da Fundação Seade e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o aumento do desemprego na Região Metropolitana de São Paulo foi até maior: passou de 9,8% em janeiro para 10,5% em fevereiro. 

Segundo a entidade, o nível de ocupação em fevereiro caiu 0,4% ante janeiro. No período, houve corte de 38 mil postos de trabalho e o número de ocupados foi estimado em 9,7 milhões de pessoas. 

No período, a PEA (População Economicamente Ativa) cresceu 0,4%, com o acréscimo de 42 mil pessoas à força de trabalho na região. 

Em fevereiro, a soma de ocupados e desempregados na RMSP chegou a 10,834 milhões. No mês passado, o total de desempregados foi estimado em 1,138 milhão, 80 mil a mais que em janeiro.

Na análise setorial, o setor da construção civil eliminou 22 mil postos de trabalho (-3,2%), o de serviços cortou 32 mil (-0,6%), e a indústria de transformação reduziu 6 mil postos de trabalho (-0,4%). 
Por outro lado, o Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas gerou 32 mil postos, alta de 1,9%.

O rendimento médio real dos ocupados na Região Metropolitana de São Paulo caiu 1,9% em janeiro, na comparação com dezembro, para R$ 1.911,00, de acordo com a pesquisa do Seade/Dieese.

A renda média real dos assalariados caiu 2,6% também para R$ 1.911,00. Na comparação com janeiro de 2014, houve uma variação negativa de 3,3% no rendimento médio real dos ocupados e uma retração de 3,7% no caso dos assalariados.

Ao avaliar a economia do Estado de São Paulo, a pesquisa Seade/Dieese mostra que houve retração de 0,5% em janeiro de 2015 ante dezembro de 2014, na série com ajuste sazonal. 

Na comparação com janeiro de 2014 a queda foi de 4,7% e, nos 12 meses até janeiro, a economia paulista caiu 2,3%.

Em nota, a Fundação Seade destaca que as condições econômicas desfavoráveis à indústria têm contribuído negativamente para o desempenho da economia paulista. 

"A economia do Estado caracteriza-se por ser mais industrializada e integrada ao mercado interno - representa cerca de um terço do PIB [Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país], sendo fortemente dependente das diretrizes nacionais de política econômica", diz.



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