São Paulo, 27 de Julho de 2017

/ Brasil

Veja quais as razões do novo pessimismo sobre Temer
Imprimir

Parte do mercado acredita que ele não tem fôlego para evitar novas concessões na reforma da Previdência, com efeitos muito ruins no futuro da economia

As notícias não são necessariamente ruins. Na última quarta-feira (03/05), a comissão especial da reforma da Previdência aprovou seu relatório na Câmara, por 23 votos a 14. E ainda nesta sexta (05/05), o setor de eletrônicos anunciou crescimento de 4,3% entre janeiro e março, depois de dois anos de queda.

Mesmo assim, a semana foi marcada pelo pessimismo sobre as condições reais do governo para aprovar, no Congresso, as reformas da Previdência e a Trabalhista. O mercado está novamente com um pé atrás com relação a Michel Temer.

Na quinta, o Ibovespa caiu 1,86%. As ações subiam bem menos que isso 24 horas depois, mas o dólar continuava pelo segundo dia em alta, como reflexo da insegurança dos investidores.

Na base de tudo isso há o temor de que uma reforma bem aguada da Previdência aponta para uma redução cada vez menor dos gastos públicos, o que voltaria a elevar a inflação e a reverter a tendência de baixa dos juros.

Os dois principais bancos privados calculam o impacto na economia, a longo prazo, das concessões que o governo foi obrigado a fazer, para tornar a reforma da Previdência palatável à base aliada.

Em números redondos, o governo contava de início em fazer uma economia de R$ 800 bilhões em dez anos. Mas segundo o Bradesco, esse número caiu para R$ 480 bilhões.

No Itaú Unibanco, o economista-chefe Mário Mesquita alertou que a não aprovação da reforma da Previdência colocaria a dívida pública numa trajetória insustentável.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que as concessões feitas até agora ao Congresso reduziram em 25% as economias planejadas pelo governo, e que era, a partir de agora, necessário recusar novos recuos.

Seu secretário de Previdência, Marcelo Caetano, disse na quinta-feira à CBN que a estimativa inicial do governo era de que a economia em dez anos era R$ 793 bilhões, e que agora, pós-concessões na Câmara dos Deputados, a cifra caiu para algo próximo a R$ 480 bilhões.

AS GARANTIAS REAIS DE APROVAÇÃO

A verdade é que o governo ainda não tem a certeza de que obterá na Câmara o voto de 308 deputados para a primeira votação do texto da Previdência. Ele não necessita apenas de maioria simples, por ser proposta de emenda à Constituição (PEC).

A previsão inicial era votar em plenário na última quarta-feira (03/05). Adiou-se por dez dias, e, agora, fala-se em junho ou, como já afirmou o site O Antagonista, em até no segundo semestre.

No fim de abril, o Planalto conseguiu para a reforma Trabalhista – que é lei ordinária, passível de aprovação por maioria simples – 296 votos. Faltaram 12 votos para atingir o número necessário para a Previdência.

Independentemente de questões de foro íntimo dos deputados, o mapeamento que chegou a Temer identificou o dedo de seu ex-aliado Renan Calheiros, que foi presidente do Senado e é hoje líder da bancada de senadores do PMDB.

Calheiros está em dificuldades para se reeleger em 2018 em Alagoas. O mesmo acontece com o filho dele, que é governador daquele Estado.

Atribui-se ao senador a intenção de se aproximar da esquerda para, com isso, mais uma vez transformar o ex-presidente Lula em seu aliado e cabo eleitoral.

Em 2009, graças a uma manobra de última hora do então presidente Lula, o senador deixou de perder o mandato na Comissão de Ética do Senado, em razão da revelação de que uma empreiteira pagava, em nome dele, mesada à jornalista Mônica Veloso, com quem ele teve relações e um filho fora do casamento.

Renan, que é réu ou está indiciado em sete processos da Lava Jato, faz agora de tudo para sobreviver politicamente – se perder o mandato, ele não terá mais foro privilegiado e será julgado na primeira instância de Sérgio Moro.

Temer negocia discretamente para neutralizar a influência seu ex-aliado, procurando desfazer um imbróglio que afeta diretamente a tramitação de textos de interesse do governo no Senado.

 

FOTO: Divulgação



Presidente deve salvar seu mandato na votação da Câmara na próxima quarta-feira. Mas com uma base de apoio diminuída e insuficiente para manter a pauta das reformas

comentários

A entidade quer evitar situações como a ocorrida ao final de junho, quando a rua Boa Vista, no centro de São Paulo, ficou bloqueada por mais de dois dias por manifestantes (foto)

comentários

Para o economista Carlos Geraldo Langoni, os juros mostram tendência clara de queda e o câmbio, relativa estabilidade. Isso sugere que o contágio da percepção de risco país pela tensão política foi baixo

comentários