São Paulo, 22 de Maio de 2017

/ Brasil

Valorização do real faz dívida brasileira crescer
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Variação subiu de 46% em dezembro para 46,4% do PIB em janeiro. A projeção do BC para fevereiro é de 47,4%

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou nesta sexta-feira (24/02), que a alta da dívida líquida brasileira foi de 46% em dezembro para 46,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro, e ocorreu em função da apreciação cambial (valorização do real em relação ao dólar).

"Temos questão da valorização em reais da posição desta dívida líquida. O câmbio se apreciou e a dívida líquida aumentou", explicou.

"Como a dívida bruta não considera as reservas internacionais, a variação cambial não impactou".

De fato, de dezembro para janeiro, a dívida bruta do Governo Geral passou de 69,6% para 69,7% do PIB - uma mudança marginal.

A projeção do BC para a dívida líquida em fevereiro é de 47,4% do PIB. Este cálculo foi feito com base em um câmbio a R$ 3,08. Já a projeção para dívida bruta em fevereiro é de 70,5% do PIB.

RESERVAS

Durante a coletiva de imprensa, Rocha foi questionado a respeito do fato de a dívida líquida ter subido de dezembro para janeiro, a despeito do superávit primário recorde registrado no mês passado.

A questão colocada era se o aumento da dívida, mesmo com superávit, não colocava em discussão o nível das reservas do País, responsável por esta elevação da dívida líquida em janeiro.

De acordo com Rocha, "o debate sobre o nível ótimo das reservas existe e há argumentos fortes tanto para um lado quanto para outro".

Ele alega, porém, que não há hoje uma metodologia econômica para se definir o nível ótimo de reservas para a defesa de um país contra ataques cambiais, por exemplo.

ELASTICIDADE

O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC apresentou também a elasticidade da Dívida Líquida do Setor Público (DLDP) ante o PIB em relação às variáveis que interferem em seu resultado.

No caso do câmbio, cada 1% de variação tem impacto imediato de 0,15 ponto percentual (pp) em sentido oposto, o que equivale a R$ 9,5 bilhões. No caso da Selic, a cada 1 pp de alteração mantida por 12 meses tem reflexo de 0,38 pp na DLSP/PIB no mesmo sentido, o que representa R$ 22,2 bilhões em valores correntes.

Já cada alta ou baixa da inflação (basicamente IPCA) de 1 pp mantido por 12 meses tem impacto 0,15 pp no mesmo sentido na DLDP/PIB, ou R$ 15 bilhões em valores nominais.

*FOTO: Thinkstock



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