Brasil

Russomano poderá disputar a Prefeitura de São Paulo


Candidato não se tornou "ficha suja" por 3 votos a 2 no Supremo Tribunal Federal. Ele lidera as intenções de voto no município


  Por João Batista Natali 09 de Agosto de 2016 às 17:00

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


Por 3 votos a 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Celso Russomano (PRB-SP) será candidato à Prefeitura de São Paulo. Ele encabeça as pesquisas de intenção de voto.

Ele foi julgado por peculato, ao permitir que, entre 1997 e 2001, uma funcionária de sua produtora, localizada em São Paulo, fosse remunerada com a verba de seu gabinete em Brasilia.

A decisão em favor de Russomano foi tomada na tarde desta terça-feira (09/08). Dentro da Segunda Turma do Tribunal, votaram a favor do candidato os ministros Dias Toffoli, Celso de Mello e Gilmar Mendes. Foram votos vencidos a ministra Carmem Lúcia, relatora do processo, e o ministro Teori Zavascki.

A manutenção da candidatura do deputado por decisão judicial mantém o atual quadro de intenções de voto, no qual ele aparece como favorito.

Segundo pesquisa Datafolha publicada em 15 de julho, Russomano teria 25% dos votos, superando Marta Suplicy (PMDB), com 16%, Luiza Erundina (PSOL), com 10%, o atual prefeito e candidato à reeleição Fernando Haddad (PT), com 8%, João Doria (PSDB), com 6% e Marco Feliciano (PSC), com 4%.

No primeiro turno, a ser disputado no final de outubro, a ausência de Russomano na lista de candidatos favoreceria Marta Suplicy. Ela teria 21%, seguida por Erundina (13%), Haddad (11%), Doria (7%) e Marco Feliciano (5%).

A pesquisa foi feita antes que Andrea Matarazzo, do PSD, retirasse sua candidatura e passasse a integrar a chapa peemedebista encabeçada por Marta.

Com relação ao segundo turno, no final de outubro, o Datafolha demonstra que Russomano seria eleito em todas as simulações de voto. Contra Marta, ele teria 48% contra 31% dos votos. Contra Erundina, o resultado seria de 54% contra 29%. O deputado também venceria o atual prefeito por 58% a 19% e, com a mesma facilidade, o tucano João Doria (58% a 18%).

Russomano se beneficia por enquanto do "recall" das eleições municipais de 2012, quando liderou as intenções de voto até ser ultrapassado por Fernando Haddad na reta final.

O então candidato foi eleitoralmente prejudicado pela promessa de cobrar pelo transporte público uma tarifa correspondente à distância percorrida. Com isso, moradores de periferias distantes pagariam mais que aqueles que têm domicílio mais próximo do centro.

Celso Russomano se projetou publicamente como apresentador de televisão, com ênfase na defesa dos interesses dos consumidores.

Ele foi eleito deputado federal em 1995, pelo PSDB. Foi reeleito em 1999, desta vez pelo PPB, pelo qual se elegeu novamente em 2003. Na eleição seguinte obteve uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PP, antes de, em 2014, reeleger-se mais uma vez, desta vez por seu atual partido, o PRB, ligado a uma das fortes correntes evangélicas.

Sua última votação foi de 1.524.286 votos, o que representou, em números absolutos, a segunda votação num só candidato a deputado federal da história republicana, apenas superado pelo falecido Eneas.

Dentro do PT e do PSDB, que raramente concordam em alguma coisa, há o prognóstico coincidente de que Russomano "despolitiza" uma campanha eleitoral, por se pronunciar com um forte apelo moralista, dissociado de uma definição ideológica mais nítida.

FOTO: Rogério Gomes/ Estadão Conteúdo