Brasil

País eliminou 1,3 milhão de vagas em 2016


O setor de serviços foi o maior responsável pelo fechamento de postos de trabalho no mercado de trabalho brasileiro


  Por Estadão Conteúdo 20 de Janeiro de 2017 às 17:12

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O Brasil fechou 1.321.994 de postos formais de trabalho no ano passado, segundo os resultados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira (20/01) pelo Ministério do Trabalho.

O corte de vagas, apesar de menos intenso do que o verificado em 2015 (quando o saldo foi negativo em 1,542 milhão, o pior da história do Caged), mostra que 2016 ainda foi um ano desfavorável em termos de mercado de trabalho.

O resultado para o ano foi melhor que as estimativas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam em 2016 fechamento de 1,330 milhão a 1,500 milhão de vagas, com mediana negativa em R$ 1,442 milhão.

O número do Caged em 2016 foi o segundo pior da série, iniciada em 2002 (com ajustes), e é fruto de 14,7 milhões de contratações e 16,1 milhões de demissões no período.

Apenas no mês de dezembro, quando geralmente há mais demissões em função da dispensa de temporários, foram fechados 462.366 postos com carteira assinada. Para este dado, as projeções apontavam para corte entre 430 mil e 610 mil vagas, com mediana negativa em 545 mil.

O resultado de dezembro é fruto de 869.439 admissões e de 1.331.805 desligamentos. Apesar disso, o número de postos fechados em dezembro também foi menos intenso do que em igual mês de 2015, quando foram extintas 596.208 vagas.

SETOR DE SERVIÇOS TEVE MAIOR CORTE

O setor de serviços foi o maior responsável pelo fechamento de vagas formais no mercado de trabalho brasileiro em 2016.

O segmento foi seguido pela construção civil e pela indústria de transformação. Juntas, as três atividades responderam por 81% do 1,32 milhão de postos com carteira assinada extintos no ano passado.

Só o setor de serviços foi responsável pelo fechamento de 390.109 vagas em 2016, enquanto a construção civil extinguiu 358.679 vagas, de acordo com os dados do Ministério do Trabalho. Já a indústria de transformação apresentou resultado líquido negativo de 322.526.

Além disso, também demitiram mais do que contrataram o comércio (-204.373), a agricultura (-13.089), os serviços industriais de utilidade pública (-12.687), a extrativa mineral (-11.888) e a administração pública (-8.643). Nenhum grande setor registrou saldo positivo no ano passado.

Considerando apenas os dados de dezembro de 2016, serviços também lideraram o fechamento de vagas (-157.654), seguidos da indústria de transformação (-130.599). A construção civil, por sua vez, extinguiu 82.567 postos formais de trabalho.

Houve também saldo negativo nos setores de comércio (-18.973), agricultura (-48.265), administração pública (-19.604), extrativa mineral (-2.651) e serviços industriais de utilidade pública (-2.053).

SUDESTE E NORDESTE LIDERAM

O corte de vagas formais de trabalho no Brasil em 2016 foi liderado pelas regiões Sudeste e Nordeste.

Entre as unidades da federação, apenas Roraima registrou mais contratações do que demissões, mesmo assim, em número quase simbólico: foram abertos 84 novos postos com carteira assinada.

Segundo as informações do Ministério do Trabalho, a região Sudeste extinguiu 788,6 mil vagas formais, enquanto o Nordeste fechou 239,2 mil postos. Ao todo, o País perdeu 1,32 milhão de empregos com carteira assinada, considerados de maior qualidade, no ano passado.

Entre os Estados, os recordistas em fechamento de vagas foram São Paulo (-395,3 mil), Rio de Janeiro (-237,4 mil) e Minas Gerais (-117,9 mil).

Juntos, os três responderam por 59% da perda total de empregos formais no ano passado. "Os saldos de emprego mais negativos ocorreram nos Estados mais populosos e de economia mais moderna", observou o Ministério do Trabalho.

RENDA EM QUEDA

A crise econômica continuou a afetar o mercado de trabalho em 2016, tanto em termos de nível de emprego quanto de renda. O salário médio de admissão caiu 1,09% em termos reais (ou seja, já descontada a inflação) em relação a 2015.

O valor saiu de R$ 1.389,19 para R$ 1.374,12, de acordo com dados do Caged. Apesar disso, o Ministério do Trabalho destaca que a perda salarial em 2016 foi menos intensa do que no ano anterior, quando o recuo havia sido de 1,64% em relação a 2014.

Em 2016, a queda na média salarial dos homens (-2,43%) foi mais intensa do que no caso das mulheres (-0,99%), movimento que já havia sido observado no ano anterior.

"Após dois anos sucessivos de redução mais acentuada dos salários de admissão masculino, a média salarial da mulher passou a representar 89,24% da média salarial do homem", disse o Ministério do Trabalho.

Em termos regionais, o salário médio de admissão caiu em todas as grandes regiões, com destaque para Sudeste (-2,36%) e Norte (-2,33%).

As perdas reais no salário de admissão têm contribuído para anular ganhos obtido no passado. Para se ter uma ideia, os dados do Caged mostram que, de 2012 a 2016, essas remunerações avançaram apenas 0,74% acima da inflação, passando de R$ 1.364,05 para R$ 1.374,12 no período - um ganho de R$ 10,07 em cinco anos.

FOTO: Thinkstock

Atualizado às 19h