São Paulo, 24 de Maio de 2017

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Mantega e Coutinho pressionaram por doações à campanha de Dilma
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A revelação, feita por Marcelo Odebrecht a procuradores da Lava Jato, é de que Luciano Coutinho, do BNDES (na foto) e o ex-ministro Guido Mantega pressionaram empresas a contribuir com a campanha da petista em 2014

O empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente do Grupo Odebrecht, revelou a procuradores da Operação Lava Jato que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, pressionavam empresas para que fizessem doações à campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014.

Os alvos, segundo o executivo, seriam empresas que receberam financiamento do BNDES para projetos no exterior.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, as revelações feitas por Odebrecht são uma tentativa do executivo de fechar acordo de delação premiada, o qual poderia contribuir para uma redução de pena do executivo.

Odebrecht já foi condenado a quase 19 anos de prisão e os procuradores da Lava Jato continuam a incluí-lo em novas listas de pessoas investigadas por casos de corrupção.

Para definirem um acordo com Odebrecht, os procuradores exigem que o empresário explique como funcionava o esquema de financiamento via BNDES de projetos de empreiteiras brasileiras no exterior.

Os ex-presidentes da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo e Rogério, e o executivo Flávio Machado já haviam revelado que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, cobrou 1% de propina sobre valores financiados pelo BNDES em obra da empreiteira na Venezuela.

A informação consta da petição entregue pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual solicita investigação sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, senadores e deputados.

Embora a direção do BNDES não tenha sido citada como alvo de investigações, um ex-executivo de uma construtora investigada teria revelado que ouviu de Coutinho, em agosto de 2014, sobre como era a relação da empresa com o então tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, hoje ministro da Comunicação Social.

Ainda de acordo com a reportagem, na visão do empresário, o questionamento foi encarado como uma espécie de pressão. Semanas depois, foi fechado um acordo de doação para a campanha da petista.

Se Vaccari e depois Edinho Silva já foram indicados como participantes dos acordos que resultavam em doações às campanhas do PT, Mantega também já foi citado em delações anteriores.

O ex-ministro, que também ocupou a presidência do BNDES anteriormente, foi citado em revelações feitas pela empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana. Empresários dizem que o "encaminhamento" dos empresários a Edinho Silva também foi feito por Coutinho, em 2014.

Em resposta à reportagem do jornal, Coutinho e Mantega disseram que "jamais" trataram de doações para campanhas eleitorais. Coutinho, em nota, disse que "jamais foi abordado durante qualquer contato com executivos da Odebrecht ou de qualquer empresa". Mantega, por meio do advogado José Roberto Batochio, afirmou que "jamais tratou de assuntos de campanha de quem quer que seja".

Edinho Silva também nega, desde que seu nome foi envolvido na Lava Jato, a existência de qualquer tipo de irregularidade nas doações da campanha de Dilma Rousseff. Ele também acusa o senador e ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (sem partido-MS), de mentir quando relaciona seu nome a práticas irregulares.

INTERFERÊNCIA DE DILMA

De acordo com a Folha de S.Paulo, Odebrecht teria confirmado que a presidente Dilma Rousseff tentou atuar para libertar empreiteiros presos, inclusive Odebrecht. Assim como relevou Delcídio Amaral em sua delação premiada, a tentativa passou pela indicação do ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).



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