São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Brasil

Índice de Confiança traz pela primeira vez classes D e E mais otimistas
Imprimir

Garantia do governo em manter programas sociais de combate à pobreza pode explicar resultado, segundo Índice Nacional de Confiança da ACSP/Ipsos

A confiança continua em baixa, menos nas classes D e E. Em maio, o Índice Nacional de Confiança do Consumidor (INC) da Associação Comercial de São Paulo, medido pelo Instituto Ipsos, registrou 106 pontos, ante 104 em abril, e se manteve estável, mas em patamar baixo. Em maio de 2014, o INC ficou em 137 pontos, e de 2013, em 153.

Os resultados de maio e abril representam recorde histórico de baixa nos dez anos do indicador. Antes, o recorde tinha sido em agosto de 2005, auge do Mensalão, quando o indicador bateu em 111 pontos. Agora, a insegurança quanto ao emprego e ao futuro contribuem para diminuir a confiança.  

“O INC de maio mostra um cenário bastante preocupante para o varejo. Mesmo com o atual quadro econômico desfavorável, o Banco Central tornou a aumentar a Selic, e não sinalizou a intenção de finalizar o ciclo de alta dos juros”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). 

FOTOGRAFIA DO MOMENTO?

Mas, mesmo em meio a esse cenário, a novidade é o aumento da confiança nas classes D e E, com 116 pontos, ante 107 em abril. Normalmente, esses dois estratos sempre ficavam no menor nível de confiança, entre 104 e 105 pontos.

Segundo Emílio Alfieri, economista da ACSP, a afirmação do governo de que irá manter os programas de combate à pobreza, como o Bolsa Família ou o Minha Casa, Minha Vida, mesmo com ajustes fiscais e cortes no orçamento, colaboraram para aumentar a confiança nessas classes.

“A garantia de que essas políticas se manterão intocáveis fez com que essas classes se sentissem mais seguras”, afirma.

Por isso, os varejistas podem aproveitar esse momento para refazer seu mix, renegociando produtos com seus fornecedores a preços mais competitivos, como utilidades domésticas ou outros itens mais básicos, para atrair esse público enquanto a economia não se recupera, recomenda.  

“Mas vale lembrar que é uma fotografia de momento, e é preciso observar se continua nos próximos meses”, diz o economista. 

Já a confiança da classe C, sempre a mais alta, passou a ocupar o segundo lugar em maio e se manteve estável nos 108 pontos. “Com a recessão do crédito e o tarifaço, não sobrou mais para comprar", afirma.

Já a das classes A/B permaneceu no campo abaixo de 100 pontos, atingindo novo recorde de baixa, com 84 pontos em maio, ante 86 em abril. As demissões na indústria automobilística refletem a da queda do indicador, já que esses consumidores deixaram de comprar esperando para ver o que vai acontecer.   

“A confiança na classe A/B segue num forte pessimismo, o que pode fazer com que produtos de maior valor fiquem encalhados nas lojas”, observa Alencar Burti.  

Na divisão por regiões, o Nordeste, sempre na lanterna da confiança, também surpreendeu por ter sido a mais otimista. De novo,  a garantia de continuidade dos programas sociais fez com que o INC fechasse maio com 115 pontos – um a mais que abril.  

Já no Norte/Centro-Oeste, o INC marcou 111 pontos no mês passado, ante 114 em abril. No Sul, a confiança foi de 107 pontos em maio - sete a mais do que no mês anterior. Nas duas regiões onde o forte é o agronegócio, a queda do indicador na primeira se deve à alta no preço das commodities. Já na segunda, a subida do INC tem a ver com volta à normalidade no clima após sete meses. 

Mas, no Sudeste, a confiança do consumidor também permaneceu na zona do pessimismo (abaixo de 100), com INC de 97 pontos em maio – dois a mais em relação a abril, por motivos semelhantes ao da queda do indicador nas classes A/B. 

FUTURO INCERTO   

Em maio, o INC aponta que o consumidor brasileiro estava mais inseguro com relação a emprego, investimento futuros e a compra de produtos de médio e grande valor.  

De acordo com a pesquisa, 41% dos entrevistados estavam inseguros quanto a emprego, sendo que apenas 26% estavam seguros em maio. Em abril, esse placar era de 36% e 28%, respectivamente.     

Quanto a investimento no futuro, 47% estavam menos confiantes para economizar para aposentadoria ou estudo dos filhos. Já os mais confiantes somaram 26%. No mês anterior, as parcelas foram de 40% e 28%. 

Já 59% dos consumidores estavam menos à vontade para comprar itens de maior valor (carro ou imóvel), e 17% estavam mais à vontade. Em abril eram 53% e 20%, respectivamente.  

A propensão para compra de menor valor também não é animadora. Os consumidores que não estavam à vontade para adquirir eletrodomésticos eram 51% em maio, e os que estavam à vontade eram 25%. Em abril, o placar foi de 42% contra 27%.  

A situação financeira pessoal atual era ruim para 40% dos entrevistados, e boa para 35%. Em abril, eram de 38% e 35%, respectivamente.

A avaliação da economia também piora nos próximos seis meses: 32% dos entrevistados opinaram que ela ficará mais fraca, e 25% disseram que ficará mais forte. No mês anterior, eram 28% e 27%.  

“Os resultados mostram que o consumidor sente no bolso a inflação e o tarifaço, e tem dificuldade de obter crédito, que está mais caro e seletivo. Os ajustes pelos quais a economia passa impactam fortemente os bens duráveis, principalmente de maior valor”, observa Alencar Burti. 

Encomendado pela ACSP ao Instituto Ipsos, o Índice Nacional de Confiança foi feito entre os dias 15 e 28 de maio em todas as regiões brasileiras. Foram realizadas 1.200 entrevistas domiciliares, em 72 municípios.  



Recuperação depende de uma evolução positiva do cenário político e da realização de um ajuste fiscal efetivo

comentários

É curioso notar que a maioria dos entrevistados que manifestaram confiança no desempenho da economia não sabe explicar a razão das expectativas positivas

comentários

Nas lojas de móveis e decorações houve o pior desempenho no mês. A menor queda ocorreu no segmento de autopeças e acessórios, de acordo com a pesquisa AC Varejo

comentários