Brasil

Empresários querem velocidade no processo de impeachment


Para eles, quanto mais rápido o desfecho, melhor. Isso porque o país poderá iniciar os ajustes necessários para as contas nacionais, o que poderá destravar os investimentos


  Por Estadão Conteúdo 04 de Dezembro de 2015 às 09:24

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff é visto como um passo em direção à solução do impasse econômico que o Brasil viveu ao longo de 2015.

Com a "guerra branca" entre Dilma e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, transformada em embate declarado, a expectativa é que a economia possa finalmente voltar aos trilhos.

Segundo o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, o mercado quer um desfecho rápido da situação para começar a fazer projetos concretos.

"A leitura que eu tenho do mercado como um todo subindo (a Bolsa ganhou mais de 3% hoje) é que todo mundo está esperando que se vire essa página", diz o empresário, dono da terceira maior varejista de moda do País.

Para Rocha, o impeachment deve ocorrer somente se houver embasamento jurídico. Em sua opinião, porém, só uma mudança de governo vai trazer nova matriz econômica para o País, realmente comprometida com a economia de mercado.

"Acho que ainda corremos o risco de termos três anos ruins. Sou pessimista com o atual pensamento econômico, mas muito otimista com a mudança."

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, afirma que a definição do processo de impeachment já é, por si só, um bom resultado. "Precisávamos de uma definição, pois tudo estava parado".

Segundo ele, "agora o processo está andando e é possível ver uma luz no fim do túnel, pois há um prazo para se definir se a presidente fica ou sai".

Desde 2014, o setor de autopeças demitiu 55 mil trabalhadores, 25% de sua mão de obra há dois anos. Butori diz que novos cortes podem ocorrer em 2016 se a situação econômica continuar se agravando. Mas, se houver sinais de melhoras, o quadro ficará estável. O setor opera hoje a 60% de sua capacidade.

Já o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Claudio Bernardes, considera que os investimentos só voltarão a crescer quando a questão do impeachment estiver resolvida.

Para ele, é importante que os desdobramentos políticos ocorram o mais rápido possível, de modo a iniciar os ajustes necessários para as contas nacionais, o que poderá destravar os investimentos.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, diz que a entidade não é nem favorável nem contra o impeachment da presidente Dilma.

"Acreditamos que as instituições brasileiras estão funcionando e não há nada fora do arcabouço institucional." Para ele, a crise política está corroendo a economia e a sociedade civil deve se unir para buscar saídas para a situação.

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A declaração de Moan foi feita em evento em São Paulo que reuniu empresários e sindicalistas em torno de uma agenda de desenvolvimento.

"Nosso movimento mostra que entidades com ideologias diferentes conseguiram buscar uma agenda pró-Brasil em torno de uma pauta comum", diz Moan.

FOTO: Wilson Dias/Agência Brasil