São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Brasil

Em NY, Dilma exibe otimismo com visita e não comenta delação
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Na visão de especialistas, a visita da presidente pode aparar arestas e marcar o início de um ciclo de colaboração entre Brasil e Estados Unidos

Em encontros com a imprensa em Nova York, a presidente Dilma ignorou pergunta sobre as denúncias de supostas doações ilegais para o financiamento de sua campanha pela empresa UTC. Na cidade desde ontem (27),ela se limitou a comentar a visita. 

Aparentando bom humor, Dilma disse que a expectativa é "muito boa" para o encontro que terá com o presidente Barack Obama na segunda e terça-feira em Washington. 

A viagem marca a retomada da relação bilateral depois da crise gerada em 2013 pela revelação de que a Agência de Espionagem Americana (NSA, na sigla em inglês) monitorou comunicações de Dilma. Em protesto, a presidente cancelou visita de Estado que faria em Washington em outubro daquele ano. 

Especialistas ouvidos pela imprensa veem na visita a oportunidade de corrigir desconfianças mútuas que se intensificaram nos últimos 10 anos. Eles apontam sinais de mudança na postura americana de não reconhecer o Brasil como aliado estratégico em temas internacionais. Pela primeira vez, autoridades dos EUA reconhecem a dificuldade de promover a agenda do país na América Latina sem a ajuda de Brasília.

PROGRAMAÇÃO 

Amanhã a presidente tem duas reuniões em seu hotel com representantes de grandes empresas norte-americanas - uma com o setor produtivo e outra com o mercado financeiro. Entre os interlocutores estarão o ex-secretário do Tesouro norte-americano Tim Geithner, o conselheiro do Citigroup, William Rhodes, e Larry Flink, da Blackrock, a maior gestora de recursos financeiros do mundo. Dilma também se encontrará com o ex-secretário de Estado Henry Kissinger.

Em outro hotel, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, comandará um seminário sobre oportunidade de investimentos no programa de concessões brasileiro.

Segundo Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, apesar das dificuldades "conjunturais", as perspectivas do Brasil são positivas. O ministro ressaltou que a recente desvalorização do real aumentou a atratividade dos investimentos no país, ao reduzir os custos em dólares. "Os ativos no Brasil estão baratos e os projetos, também".

Mesmo as investigações de corrupção podem ser apresentadas como um aspecto positivo, defendeu Monteiro. "O importante é que há um ambiente institucional maduro, em que as instituições funcionam e os Poderes são independentes."

A área comercial será uma das mais importantes da visita de Dilma, que se encontrará com o presidente Barack Obama na segunda e na terça-feira. Os dois presidentes devem anunciar a intenção de dobrar o comércio bilateral em dez anos. "É uma meta razoável e desafiadora", disse Monteiro, ressaltando o fato de que a maior parte das exportações para os EUA são de bens manufaturados, e não commodities.

Para isso, devem ser acordadas medidas de facilitação do fluxo de bens entre os dois países, que somou US$ 62 bilhões no ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento. O valor representa pouco mais de 10% do comércio dos Estados Unidos com a China, que atingiu US$ 590 bilhões em 2014. O fluxo com o México somou US$ 534 bilhões no mesmo período. As exportações brasileiras representam apenas 1,4% das compras totais dos Estados Unidos.

De concreto, devem ser anunciados acordos de harmonização de padrões nos setores de máquinas e equipamentos, têxteis e luminárias, que podem facilitar as vendas entre os países. Haverá ainda avanços na integração de portais únicos, que permitem aos exportadores resolver todos os problemas burocráticos em um único "guichê", sem necessidade de interação com diferentes agências.

Dilma desembarcou em Nova York na noite de sábado sob o impacto da revelação da delação premiada do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa. O empreiteiro disse ter feito contribuições de maneira ilegal à sua campanha de reeleição. Na chegada em seu hotel, a presidente ignorou uma pergunta da imprensa sobre o assunto e se limitou a dizer que tinha uma expectativa "muito boa" para os encontros com Obama.

Entre os anúncios que o Brasil gostaria de ver está a abertura do mercado norte-americano para as exportações nacionais de carne in natura. Ressaltando que isso está na esfera da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, Monteiro disse que o governo tem uma "expectativa muito positiva" nessa área.

 



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