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Delações de empresários da JBS podem ser anuladas


Rodrigo Janot pode cancelar os benefícios concedidos a Joesley Batista por omissão de informações. Cabe ao Supremo julgar se as provas contra as pessoas citadas, como o presidente Michel Temer, devem ser mantidas e continuarão nas investigações


  Por Agência Brasil 04 de Setembro de 2017 às 20:49

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu investigação para avaliar a omissão de informações nas negociações das delações de executivos da JBS. Caso comprovada a omissão, os benefícios concedidos aos delatores poderão ser anulado, disse o procurador.

A possibilidade de revisão ocorre diante das suspeitas dos investigadores do Ministério Público Federal (MPF) de que o empresário Joesley Batista e outros delatores ligados à empresa esconderam informações da Procuradoria-Geral da República.

No entendimento do procurador, se os benefícios dos delatores forem cancelados, as provas contra as pessoas citadas devem ser mantidas e continuarão nas investigações. No entanto, a decisão final cabe ao Supremo.

MARCELO MILLER

Janot explicou que um áudio entregue pelos advogados da JBS narra supostos crimes que teriam sido cometidos por pessoas ligadas à PGR e ao Supremo. A gravação foi entregue, por descuido dos advogados, como uma nova etapa do acordo.

Segundo Janot, um dos suspeitos é o ex-procurador Marcelo Miller, ex-procurador, que foi preso na investigação envolvendo a JBS, e um outro suspeito com "foro privilegiado" no Supremo Tribunal Federal (STF). Os fatos teriam sido omitidos na delação.

Informações da jornalista Vera Magalhães, colunista do jornal O Estado de S. Paulo, apontam para evidencia que o ex-procurador da República Marcelo Miller, que compunha a equipe de Janot, atuava para o grupo antes de se exonerar do cargo.

Ao deixar o cargo de procurador, Miller foi contratado pelo escritório Trench, Rossi & Watanabe, responsável por negociar os termos da leniência da JBS.

Segundo a colunista, Miller pediu exoneração em fevereiro, mas só a efetivou em 5 de abril. Na data da conversa, as gravações com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu já haviam sido feitas. O encontro ocorreu em 7 de março. Agora, segundo a colunista, a PGR tem evidências de que Miller ajudou a formatar o encontro e a orientar Joesley a gravar o presidente.

“Áudios com conteúdo grave, eu diria gravíssimo, foram obtidos pelo Ministério Público Federal na semana passada, precisamente quinta-feira, às 19h. A análise de tal gravação revelou diálogo entre dois colaboradores com referências indevidas a Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal. Tais áudios também contêm indícios, segundo esses dois colaboradores, de conduta em tese criminosa atribuída ao ex-procurador Marcelo Miller”, disse Janot.

O procurador-geral também informou que vai pedir ao ministro do Supremo Edson Fachin, responsável pelas investigações da Lava Jato no STF, medidas para avançar na apuração do descumprimento do acordo. Fachin poderá decidir sobre a derrubada do sigilo das gravações.

Apesar da possibilidade de anular o acordo com a JBS, Janot defendeu a delação premiada como instrumento para investigações e que deve ser preservado.

De acordo com Janot, se os executivos da JBS erraram, deverão pagar por isso, mas "não desqualificará o instituto da delação premiada”.

Procurada pela reportagem, a JBS ainda não se manifestou sobre as declarações de Janot.

IMAGEM: Agência Brasil