São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Brasil

Consumidores reduzem os gastos e estão menos endividados
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Pesquisa da CNC revela que percentual de famílias endividadas diminuiu pela primeira vez em quatro meses. Mas a proporção de famílias com dívidas ou contas em atraso registra aumento

O percentual de famílias endividadas registrou queda em junho pela primeira vez em quatro meses, caindo também na comparação anual, segundo a pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O percentual alcançou 62% – recuo em relação aos 62,4% registrados no mês de maio e ante os 62,5% verificados no mesmo período do ano passado.

Emílio Alfieri, economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), diz que diante da crise, os consumidores estão se mostrando mais eficientes que o governo para deixar suas contas em dia. A alta dos juros e a concessão de crédito mais seletiva, aliadas ao clima de instabilidade econômica e à ameaça de desemprego fazem o consumidor se endividar menos e retrair o consumo.

“Todo mundo está tentando se ajustar, e o consumidor está fazendo a lição de casa. O número é consistente, e uma novidade, em comparação com o ajuste de 1998/1999, quando houve uma explosão da inadimplência e muitas lojas quebraram”, diz. 

Para Alfieiri, os índices econômicos dos últimos meses passam a impressão de que essa crise não causará um número tão alto de falências, como aconteceu em 1999. 

 “Hoje, as principais cadeias que controlam o varejo são internacionalizadas, e há um amadurecimento na concessão e tomada de crédito. Se fizermos um ajuste sem inadimplência e falência será uma vitória.”

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O levantamento da CNC, denominado como Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), abrangeu 18 mil consumidores em todas as capitais do país.

Segundo a pesquisa, apesar da queda do percentual de famílias endividadas, que realizam o pagamento de seus débitos em dia, houve aumento no percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso e entre aquelas que relataram não ter condições de pagar suas contas atrasadas. 

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A proporção de famílias com dívidas ou contas em atraso alcançou 21,3%. Em maio, esse percentual era 21,1% e, em junho de 2014, 19,8%. O percentual das famílias que permanecerão inadimplentes atingiu 7,9% em junho. Em maio, esse percentual era 7,4% e, em junho do ano passado, 6,6%.

A proporção de famílias brasileiras que se declararam muito endividadas manteve-se estável entre os meses de maio e junho – 12,5% do total –, mas registrou aumento em relação ao patamar observado em junho de 2014, de 11,9%.
O cartão de crédito é o principal motivo de débito para 77,2% das famílias endividadas, seguido por carnês (16,3%) e, em terceiro, por financiamento de carro (13,4%).

*Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo



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