São Paulo, 27 de Julho de 2017

/ Brasil

Bruno Covas, do Palácio dos Bandeirantes para a prefeitura
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O vice-prefeito de São Paulo morou parte de sua vida com o avô Mario Covas (na foto emoldurada). Aqui, ele fala da rotina cansativa de trabalho de Doria, de camelôs e da possibilidade de virar prefeito

A admiração pelo avô Mario Covas está estampada na parede de seu Gabinete, no Viaduto do Chá, no centro de São Paulo.

A foto sorridente do político que foi governador de São Paulo, senador, prefeito e deputado federal, é o alento de todos os dias para o vice-prefeito Bruno Covas, que poderá se tornar prefeito da cidade a partir de abril de 2018, caso João Doria seja mesmo candidato à presidência da República, como a sua rotina de múltiplos compromissos e exposição farta nas mídias sociais sinalizam.

Segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral – TSE -, caso João Doria decida se candidatar à presidência da República ou até mesmo ao governo do Estado, terá de se afastar da prefeitura seis meses das eleições, ou seja, em abril de 2018.

Bruno Covas ri diante desta hipótese. O sorriso franco é uma das características da personalidade do santista -tanto por ter nascido na cidade do Litoral Sul, como por torcer pelo time de Pelé -, Bruno Covas Lopes, advogado, economista, filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB. Aos 37 anos, ele não perde o bom humor com a provocação do repórter.

LIÇÕES DE "A CAPITAL DA VERTIGEM": PENSANDO NA PREFEITURA

Do que Bruno gosta mesmo de falar é do avô Mário, falecido em 2001. De 1995 a 2001, dos 15 aos 21 anos de idade, no período em que Mário Covas governou São Paulo, ele morou no Palácio dos Bandeirantes.

“Eu morava com meus pais em Santos. E eles decidiram que eu deveria estudar em São Paulo. Então, fui morar com meus avôs. Os meus amigos adoravam isto, porque iam fazer trabalhos de escola comigo no Palácio”, conta ele, rindo.

“Meu vô foi um exemplo para mim. Na política e, principalmente, na vida”, afirma.

Além da foto na parede, Bruno guarda com carinho a biografia do avô, “Mario Covas democracia, defender, conquistar, praticar”, organizada por Osvaldo Martins e publicada pela editora da Imprensa Oficial.

A CAPITAL DA VERTIGEM

Mas o que Bruno Covas está lendo com voracidade agora é o livro “A capital da vertigem”, de 2015, em que o jornalista Roberto Pompeu de Toledo narra a arrancada de São Paulo rumo à modernidade.

Pompeu mostra como a cidade deixou a condição de vila para se tornar a maior metrópole do país. É a capital da vertigem - vertigem artística, industrial, demográfica, social e urbanística.

Pompeu conta que do início do século 20 até 1954, no aniversário de 400 anos da cidade, aparecem personagens como Oswald e Mário Andrade, Monteiro Lobato, Washington Luís, Prestes Maia e Francisco Matarazzo. Tempos de muita agitação cultural com a Semana de Arte Moderna de 1922, uma epidemia de gripe espanhola, a Revolução de 1924 e a chegada do futebol ao país.

Bruno faz questão de pegar um exemplar de “A capital vertigem” que carrega em sua bolsa e aponta um aspecto que cultiva desde quando era estudante. “Faço anotações em cada página do livro. Sempre fiz isto”, recorda.

Do mesmo autor, Bruno Covas leu também “A capital da solidão”, um mergulho na São Paulo, desde suas origens até 1900. 
Um pré-vestibular para o caso de ter de comandar a cidade a partir de abril? O futuro dirá.

Como vice-prefeito e Secretário das subprefeituras, Covas tem de seguir a cansativa rotina de trabalho de João Doria. O prefeito se notabiliza por acordar muito cedo e sair para as ruas em cansativas visitas a bairros distantes da periferia de São Paulo.

“O governador Geraldo Alckmin costuma chamar o Doria de Doria Spa”, conta Bruno.

Trata-se de uma brincadeira de Alckmin, padrinho político do prefeito, sobre o ritmo esfuziante de João Doria, que acorda cedo para cumprir uma agenda que começa muitas vezes na madrugada, termina tarde da noite, e exige que seus secretários sigam seu ritmo.

Bruno admite que é difícil seguir o ritmo de Doria.

“Nunca cheguei atrasado aos compromissos que ele marca. Mas admito que é mais por inércia, ou seja, acordo cedo, acompanho o prefeito, sem fazer questionamentos quanto ao horário”, afirma.

O rigor vai além: O secretário que chegar atrasado aos compromissos marcados por Doria é multado em R$ 200,00, a cada 15 minutos de atraso.

A rotina pesada do prefeito e seus secretários inclui visitas logo no início do dia à periferia da cidade, para colocar em prática o trabalho de faxina das ruas e praças.

O personagem principal da limpeza costuma ser o próprio João Doria. Outro ponto de destaque da gestão é a marcação cerrada sobre os pichadores.

COM DORIA: ROTINA CANSATIVA DE TRABALHO

 

Com o respaldo da lei aprovada em 14 de fevereiro deste ano, a prefeitura pune pichadores com multas que variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Funciona assim: o pichador flagrado no ato da pichação, é multado em R$ 5 mil. Caso a pichação seja contra o patrimônio público ou bem tombado, a multa sobre para R$ 10 mil.

De fevereiro, quando a lei entrou em vigor, até hoje, já foram lavradas 37 multas, sendo 34 apenas na região da Sé.

O que é pichação e o que é grafite é a questão que dominou os primeiros meses da gestão comandada por Doria e Bruno na prefeitura paulistana. A polêmica fez com que o problema dos vendedores ambulantes da cidade ficasse em segundo plano.

IMIGRANTES

Segundo José Artur Aguiar, presidente do Sindicato dos Microempreendedores do Estado de São Paulo – Sindimei -, o número de camelôs aumentou muito nos últimos meses, por conta principalmente da chegada à São Paulo de imigrantes de países africanos, haitianos e venezuelanos, que se juntaram aos bolivianos, colombianos e peruanos que já estavam por aqui.

“Hoje, só na Capital, posso dizer que já são 15 mil imigrantes, que estão morando em péssimas condições nos vários cortiços que existem na região central”, afirma José Artur.

Covas avisa que a prefeitura não tem dinheiro para colocar em prática uma das promessas de campanha de João Doria: a construção de shoppings populares para abrigar os vendedores ambulantes.

A fiscalização para diminuir o número de camelôs no centro está sendo reforçada. A operação delegada voltou às ruas. É formada por duplas de policiais militares que são utilizados na fiscalização aos vendedores ilegais, sempre que estão de folga em seus batalhões.

O “bico” dos PMs é pago pela prefeitura. “O trabalho de fiscalização continua. Só não vamos usar a força. Nada de repressão”, afirma.

EMPREENDA FÁCIL

O que deixa Bruno Covas entusiasmado é o programa Empreenda Fácil, lançado dia 6 de março e que envolve, além do Sebrae, a participação das secretarias da Fazenda, inovação e Tecnologia, Trabalho e Empreendedorismo, Urbanismo e Licenciamento, Cultura, Verde e Meio Ambiente, Saúde, Gestão, além das Prefeituras Regionais, da SP Negócios e da Prodam.

O programa começou a funcionar nesta segunda-feira, 08/05, e vai reduzir para até uma semana o prazo de abertura e licenciamento de empresas, que antes poderia demorar mais de 100 dias.

“Vamos facilitar a criação de novos empreendimentos na idade, eliminando a burocracia”, disse Bruno Covas.

FOTOS: Wladimir Miranda/Diário do Comércio e Secom

 



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