São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

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Você se preocupa com a marca Brasil?
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O pesquisador e jornalista Rodolfo Araujo explica por que a percepção sobre uma nação conta muito na hora de globalizar marcas de produtos e serviços

Diversas marcas brasileiras expandiram suas operações nos últimos anos a ponto de verem a globalização das operações como um movimento inevitável. BRF, Embraer, Chilli Beans, Marfrig, Votorantim e Petrobras são algumas das bandeiras locais que expõem seus atributos no exterior. Segundo a mesma lógica, muitos pequenos e médios empreendimentos passaram a ver portas abertas em mercados externos - dos vizinhos do Mercosul aos mais longínquos, como China e Oriente Médio. 

Se a globalização de uma marca tornou-se menos árdua por conta das inúmeras facilidades logísticas e tecnológicas capazes de aproximar pólos e hemisférios, há fatores que ainda impõem barreiras para movimentos neste sentido, como protecionismo, legislações, entre outros.

Há um ainda mais crítico, ao qual pouco prestamos atenção: o fator Made in. Não importa a marca em questão: se ela for japonesa ou alemã, de saída ela será percebida de uma forma diferente se compararmos às argentinas e brasileiras, por exemplo. A procedência, assim como atesta a qualidade de queijos e vinhos, vale para produtos tecnológicos, automobilísticos, farmacêuticos, enfim, para todos os segmentos. 

A consultoria de marcas FutureBrand lançou nesta semana o Índice de Marcas-Países 2015, em que 75 nações foram avaliadas a partir de 2,5 mil entrevistas em 17 países junto a formadores de opinião, bem como turistas de lazer e negócios. 

De acordo com o estudo, conhecer um país não significa, necessariamente, que ele tem uma marca forte. Fatores como qualidade de vida, valores, potencial de negócios, atratividade turística e riqueza simbólica são alguns dos ativos que contribuem efetivamente para um alto valor de mercado. No estudo, o Japão figura como menos conhecido que a Itália, mas lidera o ranking em comparação ao país europeu, apenas o 17o. Um dos fatores para tanto é o grande número de produtos de alto valor agregado criados pelos próprios nipônicos, sobretudo no campo da tecnologia - enquanto o Brasil ainda se mostra um exportador de commodities. 

Países que investem pesadamente em inovação, pesquisa e desenvolvimento criam mercados, expandem oportunidades e vendem produtos relevantes para os demais países - por isso, são marcas fortes, como Alemanha no caso dos automóveis e a França, quando pensamos em moda.

As nações melhor percebidas abrem mercados e estabelecem acordos comerciais com mais facilidade, pois não precisam, a todo momento, convencer seus interlocutores do quão confiáveis são. 

A pesquisa também traz uma lista das cidades mais influentes do mundo. São Paulo e Rio de Janeiro aparecem, respectivamente, em 14o. e 15o, à frente de destinos como Los Angeles, Roma, Toronto, Seul e Mumbai. Ou seja, dentro de marcas-países coadjuvantes - como é o caso do Brasil - há pontos de inovação que podem ter lições replicáveis para o restante da nação.

Quanto maior a articulação de setores para a promoção do país no exterior, além do incremento em atividades de pesquisa e inovação, melhores serão as condições para que o ambiente de negócios local torne-se mais competitivo interna e externamente. Mas a sua marca tem um papel emergencial: o de participar ativamente deste debate.

Você pode baixar o estudo completo, em inglês, aqui.

 


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