São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

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Opostos e complementares
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Assim como foi com a qualidade nos anos de 1990, sustentabilidade será premissa básica para qualquer marca sobreviver

Há cerca de 20 anos, uma das principais febres nas empresas brasileiras era a questão da Qualidade Total, conceito importado principalmente de experiências nipônicas responsáveis pela decolagem industrial daquele país – sendo a Toyota seu principal símbolo – a partir da ajuda de consultores norte-americanos.

Por aqui, os jargões e fundamentos desta teoria desembarcaram com uma obsessão por processos, sistematizações, reengenharias e neologismos outros. Áreas foram criadas especificamente para cuidar do assunto e, ao mesmo tempo, o racionalismo da época cortou milhares de posições empresas afora.

Hoje, no entanto, o que era novidade hoje é o básico. Não se discute: marca sem qualidade está fora antes mesmo antes de o jogo começar.

O mesmo acontecerá com a sustentabilidade. Embora haja muitas empresas ainda batendo cabeça sobre como incorporar tal conceito em seus respectivos negócios, em um breve futuro ele passará a ser o início da conversa, assim como a qualidade.

A seleção do mercado cortará em seu processo natural as marcas que visarem apenas o lucro em detrimento de uma boa prestação de serviços ou oferta consistente de produtos. O que está por trás desta lição de casa bem feita é, justamente, a capacidade de cada organização enxergar-se como uma corporação incluída em uma grande comunidade de interesses, atenta aos impactos ambientais, econômicos e sociais de sua atuação.

Falar em sustentabilidade não é despejar um balde de tinta verde sobre as rotinas, ritos e discursos da marca, mas torná-la uma premissa verdadeira de negócio. Quem ditará o ritmo desta transição são, justamente, os cidadãos. E o movimento está acelerado.

Uma pesquisa da consultoria Tiller junto a 1.005 norte-americanos em 50 estados mostra que o aquecimento global é uma das grandes preocupações dos habitantes daquela nação, enquanto 43% recusariam comprar produtos descompromissados com questões ambientais. Entre os entrevistados, 58% disseram estar mais conscientes sobre o tema nos últimos anos, mas apenas 21% acreditam que os esforços das empresas quanto à sustentabilidade são genuínos.

Paradoxalmente, o bolso dolorido fará com que as empresas deixem de olhar apenas para ele e observem um contexto muito mais amplo e que requer urgente atenção.



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