São Paulo, 23 de Julho de 2017

/ Blogs

Mudança de cultura?
Imprimir

O mau exemplo ético das elites governantes acaba sendo seguido por pessoas de menor poder aquisitivo

Correndo o risco de ser repetitivo, há situações que devem ser reiteradas à exaustão. Ou quando se vê alguma evolução no caminho que se busca.

Sempre disse que estava implantada no Brasil, desde as camadas mais pobres da população, a partir do exemplo de cima, dos poderosos, governantes e políticos, a cultura de se lesar a pátria.

Hoje em dia os brasileiros em geral, ainda no que já se chamou de “esperteza”, ou achando que é normal, lesam o país, sem se acharem   pessoas desonestas.

Algo, todavia, parece estar começando a mudar.

Ainda há exemplos gritantes e já massificados junto às classes de menor poder econômico. Empregadas domésticas, babás, faxineiras, motoristas, ajudantes, pessoas que prestam serviços e que recebem algum tipo de bolsa do governo federal, pedem para não serem registradas.

Recebem, assim, o salário do trabalho que prestam, sem nenhum vínculo oficial, e recebem também a bolsa porque oficialmente são desempregados.

Lesam os cofres públicos. Lesam os que necessitam das bolsas porque estão de fato desempregados, lesam a si próprios porque perdem a noção de valores e honestidade e lesam a sociedade burlando suas leis.

Há, como já mencionei anteriormente, muitos registros de profissionais que trabalharam nessa condição por um período e, depois disso, ainda ingressaram na Justiça do Trabalho contra os ex-patrões, alegando terem sido obrigadas a trabalhar sem o registro profissional, reivindicando férias, décimo terceiro, o que for possível, lesando os empregadores.

Essa mentalidade ainda está arraigada junto às camadas pobres da população que nada enxergam de errado neste tipo de procedimento.

A moral brasileira é um pouco assim. Se está errado não se deve fazer. Mas quase todos fazem.

Em face, entretanto, da descomunal avalanche que corrupção que assola o país neste início de segundo mandato de Dilma, vindo lá de trás e acentuado agora, e com o recrudescimento da inflação, do desemprego, da falta de caráter das pessoas públicas, finalmente parece que o brasileiro começa a ver que é preciso retomar a trilha dos valores da honestidade, do bem, do espírito de nação.

Pelo lado do respeito a valores, moral, ética, está tudo escancarado. Vale o que estiver à mão para se alcançar objetivos (no caso eleitorais e financeiros).

É óbvio que contamina a classe pobre o reflexo do largo espectro de corrupção, desvio de dinheiro público e crimes de lesa pátria que assolam o território nacional.

Mas isto está cansando a todos que sustentam essa máquina de arrecadação e desvios. E por estar havendo acentuada perda da qualidade de compra e vida.

Estamos ainda, todos nós, brasileiros, lesando uns aos outros o tempo todo. E somos lesados pelos que elegemos para nos governar. É quase um salve-se quem puder.

Tenho dito há anos que o brasileiro se aculturou, desde a chegada de dom João VI - o que fez o estado brasileiro nascer antes da Nação brasileira - a ser dependente do poder central em tudo.

Não há estímulo natural empreendedor, realizador, e todos buscam um jeitinho de arrumar um cargo público e ali ajeitar sua vida. Como na Corte se buscava favores e títulos doados pelo Rei.

A mentalidade vigente é ainda estimulada por um governo que ilude o povo, se mantém no poder com mistificações e benevolências populistas, à custa do erário. Todos lesando todos em favor de alguns que dominam o poder.

A atual gestão petista do governo federal, como se sabe, estimula ainda uma aversão nacional por tudo que é privado. Fortalece o gigantismo estatal, deixa o país e seus cidadãos dependentes do Planalto e arrancam da economia privada o sustento de tudo, sem cortar gastos do próprio governo.

No meio de uma das maiores crises do período republicano, de liberdades plenas vigentes, a presidente da República vai passar uma semana na Rússia. Já havia ido aos Estados Unidos.

O clima está melhor para ela fora do país. Foge da realidade.



Programa oferece subsídios para famílias com renda mensal de até R$ 2,8 mil comprarem materiais de construção

comentários

Queda no repasse dos recursos federais para as prefeituras faz do Bolsa Família a principal fonte de renda dos municípios. Falta de recursos aumenta deficiência crônica dos serviços públicos

comentários

Governo cancela 469 mil benefícios e bloqueia outros 667 mil. Os usuários têm até três meses para comprovar que cumprem os requisitos do programa de distribuição de renda

comentários