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Marcas que apoiam a música atraem clientes?


Estudo demonstra o peso do patrocínio à música no engajamento entre consumidores e marcas


  Por O que vem por aí 13 de Agosto de 2015 às 16:00

  | O jornalista Rodolfo Araújo, diretor de Conhecimento e Pesquisa da Edelman Significa, decifra as tendências que irão marcar o mundo dos negócios


Quando se pensa em uma marca, mais importante do que refletir sobre o produto ou serviço por ela representado é pensar a respeito do universo simbólico transmitido para seus públicos. Para além de ser sinônimo de categoria, o desafio em um cenário de crescente equalização da oferta reside, justamente, no que representa no imaginário da sociedade.
 
Pense na Apple, por exemplo: não é apenas sinônimo de aparelhos de diferentes tipos, mas de um estilo de vida. Red Bull e Coca-Cola são ilustrações que se descolam do que comercializam e sobem um degrau na escala da competição ao batalharem pelo afeto das pessoas. Mais do que oferecerem algo conveniente para o desejo alheio, procuram fazer sentido para os indivíduos.

No Brasil, podemos ver a Natura como empresa que, ao embutir a narrativa do bem-estar em seu negócio, consegue materializá-lo sob diferentes perspectivas que transcendem os cosméticos que fabrica e distribui. Uma delas é a música, território simbólico no qual se expressa, concretiza a promessa da marca e, a partir disso, amplia sua capacidade de engajar consumidores, artistas, produtores, entre outros públicos. A plataforma Natura Musical não é uma frente comercial em sua essência, mas constrói marca de forma eficiente a partir de uma negociação de conteúdos relevantes junto a sua rede.

Música, por sinal, é um dos artifícios simbólicos mais importantes para as marcas aproximarem-se das pessoas. De acordo com recente estudo da consultoria Havas Sports & Entertainment, este panorama tornou-se ainda mais interessante com as mudanças proporcionadas pela tecnologia digital, responsável pela horizontalização dos fluxos de distribuição musical e, também, pela abundância na oferta. De acordo com o estudo, 56% dos consumidores no mundo ouvem cerca de 10 gêneros diferentes. E no Brasil, especificamente, 62% dos adeptos desta arte usufruem dela a partir da lógica da conexão social. Ou seja, nada mais oportuno para as marcas.

Na pesquisa, o benefício é claro: 55% dos respondentes globais aprovam patrocínios por parte de marcas a experiências musicais e 73% creem que tais ações incrementam a imagem de tais apoiadores. Para os negócios também há pontos positivos bastante objetivos: 62% declaram que se sentem encorajados a comprar produtos ou serviços da marca patrocinadora. Faz bem para os ouvidos, faz bem para os negócios.

E a sua marca? Como ela pode ir além do que oferece e pensar em outras formas de engajamento?