São Paulo, 28 de Junho de 2017

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Atentado mata quatro e fere mais de 20 em Londres
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Terrorista do Estado Islâmico atropelou pedestres nas imediações de Westminster e esfaqueou um guarda, antes de ser morto

Um atentado terrorista nas imediações do Parlamento britânico matou na tarde desta quarta-feira (22/03) ao menos três pessoas e deixou 20 feridos. O terrorista, abatido pela polícia, foi a quarta vítima. O Estado Islâmico reivindicou o atentado nesta quinta (23), afirmando em comunicado que se tratava de um "soldado" do grupo.

Também na quarta-feira a polícia anunciou ter identificado o terrorista. Trata-se de um cidadão muçulmano nascido em Kent, na Inglaterra, chamado Khalid Massod.

Entre os feridos há dois adolescentes franceses, que participavam de uma excursão escolar a Londres. O estado deles é considerado muitíssimo grave.

O atentado coincidiu com o primeiro aniversário da ação criminosa do grupo terrorista Estado Islâmico em Bruxelas, na Bélgica, que matou 32 civis e feriu 300 outras pessoas.

Ainda nesta quarta, e é outra coincidência, os ministros das Relações Exteriores de países da Otan – aliança militar ocidental – estavam reunidos em Washington, nos Estados Unidos, para rediscutir ações conjuntas contra a expansão do Estado Islâmico.

Esse grupo foi responsável pela maior carnificina ocorrida na Europa, com 90 mortos em novembro de 2015, em Paris, a maioria deles no interior da casa de espetáculos Bataclan.

Os acontecimentos de Londres ainda têm versões confusas. Sabe-se, no entanto, que foram praticados por apenas um terrorista. De início, acreditava-se que teriam sido dois.

Por volta das 14h40 (11h40, em Brasília), um furgão atravessou a ponte de Westminster e penetrou na área reservada a pedestres, junto a uma das entradas do Parlamento e da abadia que é o mais prestigioso templo da igreja anglicana.

Pouco mais de 20 pessoas foram então atropeladas, e duas delas morreram minutos depois. Uma mulher atropelada caiu no rio Tâmisa e foi resgatado com ferimentos graves por um barco do corpo de bombeiros.

Depois dos atropelamentos, o terrorista que dirigia o furgão avançou com um punhal na direção de um guarda que integrava o pelotão de proteção habitual ao Parlamento.

A polícia britânica, embora não tenha comprovado o vínculo dos acontecimentos desta quarta e com o radicalismo islâmico, afirmou desde os primeiros minutos que se tratava de terrorismo.

O guarda foi esfaqueado. O nome dele, soube-se depois, era Keith Palmer. Outro policial sacou sua arma e atirou contra o terrorista, que morreu antes de ser socorrido.

CONFUSÃO, TENSÃO E FUGA

O ministro britânico das Relações Exteriores, Tobias Ellwood, apesar de não ser médico, mas com experiência em reanimação por ter sido militar, tentou reanimar o guarda Palmer e aguardou a chegada de um helicóptero que o transportaria na direção de um hospital. Mas o guarda morreu antes de embarcar na aeronave..

A Câmara dos Comuns estava reunida, e a primeira-ministra Thereza May se encontrava em plenário, em sessão semanal durante a qual parlamentares interpelam a chefe de governo.

May foi imediatamente cercada por agentes de segurança e colocada num veículo blindado que a levou a um destino seguro e de imediato desconhecido. Ela convocou para a noite uma reunião de emergência da equipe encarregada da segurança interna do Reino Unido.

A polícia pediu que os deputados se mantivessem no Parlamento e não se aproximassem das janelas do conhecidíssimo edifício em estilo gótico.

O temor era de que outros terroristas se aproximassem e desencadeassem uma nova etapa do mesmo atentado.

Pouco depois, o palácio em que mora a rainha Elizabeth 2a foi cercado por contingentes que cerraram as entradas e reforçaram a segurança. Diante do estado de emergência que o governo decretou, Londres passou a ser percorrida por grupos de policiais armados. A  Polícia Metropolitana londrina habitualmente não usa armas.

Exposta nos anos 60 a atentados frequentes de terroristas republicanos irlandeses, Londres experimentou o pior atentado de extremistas islâmicos em julho de 2005, com sucessivas explosões em estações do metrô. Morreram 52 pessoas, e 700 outras ficaram feridas.

Comparado ao atentado de 2005, o ocorrido em Londres nesta quarta tem uma dimensão incomparavelmente menor. O terrorista não dispunha de explosivos e não portava armas de fogo.

O confronto dele com o policial que ele acabou matando se deu com arma branca. Sem uma infraestrutura maior ou uma logística que envolvesse outras pessoas, o novo terrorista de Londres tem
o perfil de um “lobo solitário”.

Caso essa hipótese se confirme, trata-se para os serviços de segurança do perfil mais perigoso, porque invisível ao radar que procura monitorar movimentações de grupos suspeitos e detectar o transporte clandestino de explosivos.

Os lobos solitários, ao se considerarem simpatizantes do Estado Islâmico, entram na internet e procuram entrar em contato com representantes do grupo clandestino, no Iraque ou na Síria.

São então instruídos a lerem os documentos doutrinários da organização e a mandarem um vídeo ou fotografias dos atentados que eventualmente venham a cometer.

AS “FRANQUIAS INDIVIDUAIS” DO TERRORISMO

O Estado Islâmico passou a operar por meio dessas “franquias individuais”, diferenciando-se de seu poder de fogo na Europa até há cerca de dois anos, quando oferecia dinheiro e infraestrutura para grupos clandestinos que cometiam atentados em seu nome.

Essa forma individual de atuação, em que o terrorista não é submetido ao controle teológico da organização de fanáticos, diferencia o Estado Islâmico da Al Qaeda, a organização chefiada por Osama Bin Laden e que foi responsável pelos atentados do 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos, em que morreram 2.996 pessoas, e que foi, de longe, o mais mortífero dos atentados.

A partir de abril de 2016, o Estado Islâmico passou a divulgar um vídeo no qual um de seus dirigentes lançava um apelo para que simpatizantes não mais tentassem chegar à Síria, por meio do território turco, para se alistarem como combatentes.

Isso porque o grupo terrorista entrou em refluxo e passou a ocupar uma superfície bem menor de territórios na Síria e no Iraque. Dispor de mais voluntários criaria mais problemas que aqueles que precisavam ser militarmente resolvidos.

As “franquias individuais” foram, assim, uma resposta para que a organização terrorista se mantivesse em evidência.

Com uma quantidade menor de cidades sob seu controle, sem mais poder explorar clandestinamente jazidas de petróleo na Síria, importantes anteriormente para suas finanças, o Estado Islâmico passou a ser uma denominação, da qual os mais fanáticos se apoderam para cometer suas loucuras.

É possível que em Londres tenha sido esse o caso.

 



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