São Paulo, 26 de Abril de 2017

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Associação Comercial de São Paulo comemora 122 anos
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A entidade, que cresceu ao lutar contra a burocracia, celebra nesta semana mais um ano de uma história centenária a favor da livre iniciativa

Nesta quarta-feira (7/12), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) comemora 122 anos de lutas a favor dos comerciantes e da livre iniciativa.

Para marcar a data, será realizada às 18h uma Plenária Solene com a participação dos vice-presidentes da entidade.

Em seguida, às 19h15, haverá uma missa na Capela José de Anchieta, no Pateo do Collegio, celebrada pelo Bispo Dom Fernando Antonio Figueiredo, daDiocese de Santo Amaro, e pelo Padre Carlos Alberto Contieri, com participação do coral Schola Cantorum Pateo do Collegio. 

As comemorações continuam com a inauguração da iluminação natalina da sede da ACSP, na rua Boa Vista, 51. Seguida pela homenagem de colaboradores com mais de dez anos de casa pelo tempo de serviço prestado à associação. 

Para finalizar, será cortado o bolo dos 122 anos e haverá coquetel de confraternização na área interna do Pateo do Collegio. 

HISTÓRIA

Estimulada pela riqueza do café, a cidade de São Paulo pulsava ao final do século 19. Pontos comerciais surgiam da noite para o dia no triângulo histórico formado pelas ruas Direita, 15 de Novembro e São Bento. A indústria despontava, as oportunidades de se fazer novos negócios atraíam empreendedores locais e estrangeiros.

Mas nem tudo era simples na vida do empresário de então. O crescimento acelerado da economia daquela proto-metrópole esbarrava nos serviços públicos arcaicos e nas leis antiquadas. Era preciso afinar a sintonia com o poder público.

Foi nesse quadro que em 7 de dezembro de 1894, no prédio de número 10 da rua da Quitanda, o empresário Antônio Proost Rodovalho fundava a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), tornando-se seu primeiro presidente.

No discurso de instalação da entidade, em 26 de janeiro de 1895, o primeiro secretário, José Duarte Rodrigues, expunha à elite paulista alguns dos objetivos da recém-criada agremiação. “... a Associação cria, entre o Estado e o indivíduo, forças coletivas, livres, que, por uma parte, dispensam o governo de intervenções, e por outro lado, desenvolve no mais alto grau o espírito de iniciativa... pois estamos acostumados a tudo esperar da ação dos governos”.

Lá se foram 122 anos, mas esse trecho de discurso que refletia os anseios da jovem ACSP poderia ser enxertado – sem perder a relevância – nas falas dos atuais dirigentes da entidade.

As lutas pela menor interferência do estado na atividade empresarial, a formação de cidadãos proativos, conscientes de seus direitos e deveres, são causas que se mantiveram atuais ao longo desse um século e duas décadas, e que hoje são traduzidas como lutas pela redução da burocracia, da carga tributária e pelo estímulo ao empreendedorismo.

O fato de as causas dos embates persistirem ao longo dos tempos não significa insucessos passados. Sugere que a capacidade para criar dificuldade à atividade econômica funciona como uma máquina malvada que tem vida própria.

Uma das primeiras conquistas da ACSP, datada de 15 de novembro de 1895, foi a instalação de uma alfândega seca na cidade de São Paulo. Até então, a burocracia exigia que os empresários fossem até Santos para assinarem a documentação que liberaria as mercadorias importadas.

O tempo passou, os lentos trens a vapor que subiam a serra do Mar deram lugar aos motores a combustão. Chegaram a telefonia celular e a internet – que reduziu as distâncias a um clique no mouse.

Mesmo assim, liberar cargas no Porto de Santos pode levar longos 17 dias, graças ao excesso de normas, criadas ao longo do tempo, e à ineficiência de infraestrutura.

Mas aquela conquista, que 122 anos atrás agilizou o trânsito das mercadorias, encontrou paralelo recentemente com a aceitação, pelo governo Federal, do projeto Porto 24 Horas.

Moldado dentro da ACSP, ele prevê, entre outros pontos, o funcionamento ininterrupto em Santos de órgãos públicos como a Vigilância Sanitária e Ministério da Agricultura, visando agilizar os despachos.

Os protestos contra a tributação insana também encontraram eco através dos tempos. Ainda em 1900, a ACSP se posicionou contra a política estadual de ajuste financeiro de Campos Sales, que criava mais impostos ao setor produtivo.

Também foi combativa, no âmbito municipal, questionando a legalidade da taxa de até sete contos de réis, direcionada ao serviço de limpeza pública. 

LEIA MAIS: Uma breve história dos 120 anos da Associação Comercial

LUTA PELA REDUÇÂO DA CARGA TRIBUTÁRIA

Hoje, a ACSP se mobiliza para reduzir a carga tributária e conscientizar a população sobre o peso que os impostos têm no dia-a-dia de cada um.

Ações que ganharam corpo com o Movimento De Olho no Imposto, originado dentro da entidade, que trouxe como símbolo o Impostômetro – painel eletrônico que estima em tempo real a arrecadação dos governos Federal, estaduais e municipais –, e culminou com a aprovação da lei que obriga estabelecimentos comerciais a discriminarem na nota fiscal o percentual de tributos embutidos nos preços.

Desde suas origens, a ACSP tem se posicionado como a voz do empresariado, o que não diminuiu o papel social da entidade. Quando a São Paulo de 1918 foi assolada pela chamada “gripe espanhola”, a Associação saiu em socorro à população, trabalhando para a criação de um hospital na cidade, a Policlínica.

De maneira semelhante, a entidade organizou frentes de assistência para garantir o abastecimento de alimento à população durante as revoluções de 1924 e 1932.

Hoje, esse papel de entidade-cidadã pode ser visto em ações como o Movimento Degrau, que tem garantido a inclusão de jovens no cotidiano das empresas, nas quais podem se iniciar como aprendizes.

Naquele dezembro de 1894, quando às 13 horas Antônio Proost Rodovalho, ladeado pelo presidente do estado de São Paulo, Bernardino de Campos, e por César Motta, secretário do interior, lançou a pedra fundamental da ACSP, ele afirmou: “São Paulo nunca deixará de crescer, de prosperar, de enriquecer”.

Poderia ter dito ainda que a ACSP entraria pelo tempo crescendo e se modernizando em consonância com a cidade, sempre mantendo vivos os seus princípios.

 

 



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